Trabalhadores denunciam mau atendimento no Sine em Belém

Quem precisa dar entrada no seguro-desemprego reclama da escassez de senhas e cobranças indevidas para facilitar atendimento (Foto: Carmem Helena)
Quem precisa dar entrada no seguro-desemprego reclama da escassez de senhas e cobranças indevidas para facilitar atendimento (Foto: Carmem Helena)
Quem precisa dar entrada no seguro-desemprego reclama da escassez de senhas e cobranças indevidas para facilitar atendimento (Foto: Carmem Helena)

Belém, PA – Trabalhadores que precisam dar entrada no benefício do seguro-desemprego no Posto de Atendimento do Sine (Sistema Nacional de Emprego) da Marambaia denunciam esquema de compra de ficha na unidade. Segundo os denunciantes, o posto disponibiliza 20 fichas diariamente, que começam a ser distribuídas por volta das 7h. No entanto, quando as pessoas chegam para ser atendidas, são informadas de que não há mais vagas e que devem retornar dois a três dias depois. A situação estaria ocorrendo inclusive com os que costumam madrugar na porta do posto.

Na noite de ontem, a reportagem flagrou cerca de 60 pessoas dormindo na calçada do Sine na tentativa de conseguir uma ficha. Uma delas, que não quis se identificar, afirmou que, ao tentar conseguir atendimento, ontem, por volta das 11h, foi abordada pelo guarda que faz a segurança do prédio, que teria cobrado dinheiro para garantir a vaga. “Ele (o guarda) me pediu R$120,00 para garantir uma ficha para mim.

Disse que, se eu pagasse, conseguiria atendimento na hora que eu quisesse”, disse a pessoa denunciante. Outras pessoas afirmaram que receberam a mesma proposta e que, ao dizerem que não tinham dinheiro, teriam ouvido do guarda que deveriam voltar para casa.

A compra de fichas é apenas uma das várias reclamações que os trabalhadores fazem sobre o atendimento no local. Carla Oliveira chegou às 16h de ontem para dormir na fila, que, segundo ela, tinha apenas 10 pessoas na sua frente, mas de cara recebeu do guarda a informação de que não havia mais vaga para hoje. “Ele disse para eu ir embora porque já tinha uma lista de 25 pessoas para hoje”, relata.

Fotos tiradas pelo celular dos trabalhadores em dias alternados mostram uma média de 300 pessoas na fila. Na parede do prédio, há um cartaz informando que o Sine fará, em média, 200 atendimentos semanais de segunda a sexta-feira, a partir do dia 18 deste mês, mediante a apresentação de senhas datadas e distribuídas antecipadamente todas as segundas-feiras.

As pessoas se dizem revoltadas com a desorganização e falta de respeito com que estão sendo tratadas pelo órgão. “Somos trabalhadores, e não vagabundos. Somos obrigados a nos sujeitar a esse lugar sem luz e sem segurança para conseguir um direito que é nosso”, reclama Carla.

Apesar da precariedade, o posto de atendimento do Sine da Marambaia é um dos poucos que, segundo os trabalhadores, tira ficha na hora. O de Ananindeua só agenda para 40 dias depois, o da Cidade Nova não está funcionando e outros como o da avenida Magalhães Barata também só atendem com agendamento. Laureane Silva foi a todos eles. Sem sucesso, resolveu procurar o da Marambaia ontem pela terceira vez consecutiva. “Cheguei às 5h, mas não consegui mais vaga, aí resolvi ficar logo direto até hoje. Já vim várias vezes e não consigo nada”, diz ela.

No local, há pessoas com colchões no chão e até redes armadas para dormir. Todos reclamam da grosseria dos funcionários no trato com quem precisa de atendimento. “Eles tratam a gente com muita arrogância, não respeitam os idosos nem as pessoas que têm algum tipo de prioridade. É uma humilhação sofrida todos os dias”, conta Jorge Luiz, que há mais de um mês tenta dar entrada no seguro-desemprego.

A reportagem tentou contato com a algum representante do Sistema ou do governo do Estado, mas não teve retorno.

Fonte: Diário do Pará

 

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