Setor moveleiro impulsiona a economia interiorana

Manaus – Os números não deixam dúvida: 136.115 trabalhadores e 2.800 produtores, de 20 municípios do Amazonas, que já movimentaram R$ 25,6 milhões.

Os valores da cadeia produtiva da madeira no Amazonas mostram a importância de uma política pública sustentável, que utiliza madeira de reflorestamento para a produção do mobiliário das escolas amazonenses desde 2005.

São carteiras, armários, quadros e mesas de refeitório e escritório produzidas por cooperativas e associações de moveleiros, prioritariamente localizadas no interior do estado. Essas organizações recebem incentivos para a fabricação e têm como matéria-prima a madeira oriunda dos Planos de Manejo Florestais Simplificados, ou seja, madeira de áreas que são constantemente reflorestadas.

Um dos principais impulsionadores da cadeia foi o chamado Programa de Regionalização de Mobiliário Escolar (Promove), instituído pelo Decreto nº 25.316, de 8 de setembro de 2005, durante o governo do atual senador Eduardo Braga (PMDB/AM).

De lá pra cá, o número de produtores e municípios aumentou consideravelmente. De acordo com a Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS), no início, o Programa atendia 239 produtores de quatro municípios do Amazonas. Em 2009, já eram 2.500 produtores de 14 municípios. Hoje, esses números chegam a 2.800 e 20, respectivamente. Em 2012, o governo estadual investiu R$ 3,9 milhões em incentivos para o Promove.

Além do decreto de 2005, a Lei nº 3.453 de 10 de dezembro, de 2009, regularizou a aquisição de mobiliários escolares sem a necessidade de licitação pública. O credenciamento é feito pela ADS.

“Nossa ideia com esse programa sempre foi incentivar a geração de renda no interior do estado, proporcionando trabalho para as famílias que vivem distantes da capital e que podem explorar os recursos da floresta de maneira sustentável e equilibrada”, lembra

Funcionamento

Toda a madeira do Promove é oriunda de plano de manejo legalizado. A árvore é derrubada pelo motosserrista, que desdobra toda a tora em peças menores, chamadas pranchas, para que possam ser transportadas até o local de embarque. Assim, as toras são conduzidas para a indústria moveleira, para empresas já credenciadas pelo Promove.

Essa madeira é beneficiada em peças preparadas para a fabricação dos mobiliários e, em seguida, é colocada para secagem em estufa por um período de 12 a 15 dias. Posteriormente, as peças são cortadas e lixadas em tamanhos definidos pelo decreto de fabricação dos mobiliários, para iniciar o processo de montagem.

Após a montagem, os mobiliários são envernizados e recebem o selo de cada empresa credenciada. Os móveis prontos são então transportados para uma escola local ou do município mais próximo, de acordo com determinação da Secretaria de Estado de Educação (Seduc).

De uma pequena oficina à criação de modelos de móveis escolares

Cleonissa Ferreira da Silva é uma das beneficiárias do Promove. Moradora de Manacapuru, Cleonissa já trabalhava com móveis há algum tempo, mas foi em 2006 que ela abriu sua fábrica, a movelaria São José.

Ela explica que, no início, os móveis eram produzidos com ferramentas por cinco funcionários. Hoje, Cleonissa possui um contrato fixo com o município de Manacapuru e a emprega 46 pessoas. Nos últimos anos, ela adquiriu 24 máquinas para auxiliar na qualidade do trabalho.

“Procuro sempre estar me atualizando, investindo para ter mais qualidade nos móveis que produzimos”, conta.
A matéria-prima da São Jorge vem dos municípios vizinhos. Cleonissa garante: “toda madeira que compramos é remanejada”. A movelaria é responsável, inclusive, por apresentar os modelos dos móveis escolares para a Seduc.

“Nós levamos nossos modelos para Manaus e o Secretário de Educação faz a aprovação. Depois disso, os moveleiros dos outros municípios vão até lá para pegar o modelo e produzir os móveis da mesma forma”, explica.

Parintins

O fomento do setor moveleiro é o responsável pela manutenção de 300 empregos diretos no município de Parintins, a 325 quilômetros de Manaus. Segundo o presidente da Associação de Moveleiros da cidade (Amopin), Edgar Lima da Silva, antes da criação do Promove, o setor estava abandonado e os trabalhadores, desmotivados.
“As pessoas estavam sem perspectivas, as oficinas de móveis não conseguiam sair do fundo de quintal e hoje várias famílias têm uma renda a mais, que motivou muitas outras pessoas a entrarem nesse negócio, que já é a 5º ou 4ª potência econômica da cidade”, diz.

Com 57 associados, Silva conta que a fabricação e venda de móveis escolares para o governo do estado emprega outras centenas de pessoas de forma indireta e que a tendência é o setor se profissionalizar cada vez mais.

“Hoje temos assessoria do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), participamos de cursos e treinamento, pois a ideia é profissionalizar ainda mais a produção em série”, explica. (ADS)

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