Rondônia completa 31 anos

Porto Velho

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Amazonianarede – Diário da Amazônia

Porto Velho – O Brasil vivenciava o declínio do regime militar brasileiro quando, em 4 de janeiro de 1982, tomou posse o primeiro governador do estado de Rondônia, coronel Jorge Teixeira de Oliveira. Oficial do Exército Brasileiro, o popular Teixeirão também era graduado em Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenou as ações políticas do Estado rondoniense até 1985, quando o deputado estadual Ângelo Angelim foi nomeado pelo então presidente José Sarney como novo governador.

Mesmo com uma história centenária, fruto da íntima ligação entre o desenvolvimento do Estado e a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré (EFMM), Rondônia completa agora 31 anos de criação, já que anteriormente era um território federal. O decreto de criação foi assinado em 22 de dezembro de 1981, fato que gerou a confusão de datas. “Foi uma grande infelicidade da classe política, mas não tem que mudar nada. A instalação foi no dia 4 de janeiro e este é o dia que tem de ser observado”, pontuou o historiador Marcos Teixeira. As discrepâncias ultrapassaram a fronteira dos gabinetes e invadiram o imaginário popular. Devido a uma manobra, houve no passado uma tentativa de transferir a data de comemoração da instalação do Estado para o dia 22 de dezembro ao invés de 4 de janeiro, ato que criou um clima de incerteza entre a população.

Buscando cessar a discussão e a controvérsia entre as datas, a Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia (ALE) votou um projeto do então deputado Jesualdo Pires (PSB), atual prefeito de Ji-Paraná. A Lei 2.291 definiu o dia 4 de janeiro como a data onde seria observado o feriado de comemoração da criação do Estado em detrimento de 22 de dezembro. O decreto foi sancionado pelo à época governador, João Cahulla, e entrou em vigor em 2010, ano de sua publicação.

O também historiador Antônio Candido compara o episódio ao nascimento de uma criança. “O Estado foi criado pela lei 41 de 22 de dezembro de 1981, mas foi implantado em 4 de janeiro. É como o nascimento de uma criança. O dia 22 é a data de nascimento, mas a criança passa a existir no momento do registro, que no caso de Rondônia, é o 4 de janeiro”.

Na visão de Candido o estabelecimento da comemoração pelo aniversário do Estado em janeiro não passa de conivência para finalidades comerciais e que nada tem de preocupação com a historicidade rondoniense. “É óbvio que não houve interesse histórico na definição. Quem fez a lei? Jesualdo Pires (PSB), que é empresário. Ou seja, o interesse que prevaleceu foi o comercial”, sublinhou o historiador. Ele ressalva que independente da controvérsia entre as datas, “fruto da preguiça pela pesquisa”, o importante é comemorar o aniversário do Estado, mas vê exagero em considerar o 4 de janeiro como data magna, a mais importante da história rondoniense. “Há tantos episódios mais interessantes. Há o Tratado de Petrópolis ou o 10 de julho, data duplamente importante, que marca a nacionalização da Estrada de Ferro Madeira Mamoré (EFMM) em 1931 e sua desativação, em 1972”, opinou Candido.

BALANÇO

A ideia de transformar Rondônia em Estado surgiu no final da década de 1960 e se consolidou em 1970. Na época da passagem, o então Território Federal de Rondônia contava com 13 municípios. Além da Capital, Porto Velho, ainda compunham o quadro as cidades de Ariquemes, Cacoal, Colorado do Oeste, Costa Marques, Espigão do Oeste, Guajará Mirim, Jaru, Ji-Paraná, Ouro Preto do Oeste, Pimenta Bueno, Presidente Médici e Vilhena.

Passados 31 anos, Rondônia ganhou mais 39 municípios e passou a 52 cidades. Hoje com 1.590.011 habitantes, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2012, Rondônia é o terceiro estado mais populoso e o mais denso da região Norte.

Entre 2002 e 2010 o estado apresentou 63,9% de crescimento acumulado do Produto Interno Bruto (PIB), sendo o segundo estado brasileiro que mais cresceu no período.

O Estado alcançou a marca 0,7161 no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) que considera estatísticas de Emprego & Renda, Educação e Saúde para mensurar os estados e municípios que mais cresceram no País.

Rondônia é ainda o estado com a maior porcentagem de evangélicos do Brasil e o terceiro mais rico da região Norte, responsável por 11,7% do PIB da região. Apesar de ser um estado jovem, possui o terceiro maior Índice de Desenvolvimento Humano, o segundo maior PIB per capita, a segunda menor taxa de mortalidade infantil, a terceira menor taxa de analfabetismo entre todos os estados das regiões Norte e Nordeste do País e a terceira maior teledensidade do Brasil, que é o índice da distribuição de linhas telefônicas em uma determinada região. 

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