RO: Ex-secretária de obras tem prisão preventiva decretada

Ex-titular da Secretaria Municipal de Obras - Mirian Saldaña
Amazonianarede – Diário da Amazônia

Porto Velho – O Procurador Geral da Justiça Héverton Alves de Aguiar conseguiu na Justiça transformar a prisão temporária da ex-chefe de gabinete do prefeito afastado Roberto Sobrinho e ex-titular da Secretaria Municipal de Obras (Semob), Mirian Saldaña, para preventiva. Com isso, a reclusão que terminaria no último domingo vai se estender até o final do processo. Ao estudar os documentos o Ministério Público de Rondônia encontrou fortes indícios de ligação dela com a quadrilha organizada. As informações foram passadas ontem, durante coletiva de imprensa, na sede do MP em Porto Velho.

De acordo com o procurador Héverton Alves de Aguiar, nos poucos dias de análise dos documentos, ficaram comprovados a real participação Mirian Saldaña, com as fraudes na prefeitura. “A detalhação dos processos mostram que ela sabia de todas as ações que ocorriam. Ela não só concordou, mas as provas mostram que ela também participou do esquema, por isso pedimos prisão preventiva”, explicou Aguiar.

Sobre os demais que estão em prisão temporária, o procurador afirmou que a Justiça prorrogoua pena para mais cinco dias. Dependendo das análises, o prazo pode ser prorrogado ou será pedido prisão preventiva. “Tudo vai depender dos documentos, são milhares que iremos analisar durante a semana. Mas o que podemos afirmar é que esses primeiros deram para constatar a participação da chefe de gabinete”, disse Aguiar.

Aguiar não descartou a possibilidade de ocorrer novas operações, pois, segundo ele, o bando criminoso se espalhou sobre vários setores da prefeitura para lesar os cofres públicos. “A quadrilha é extremamente organizada e estava atuando em diferentes vertentes, estamos estudando a fundo outros documentos e com certeza vamos encontrar novas irregularidades em outras secretarias”.

Ainda de acordo com o procurador, o prefeito afastado Roberto Sobrinho ainda não está preso devido falta de provas contra o mesmo. O procurador trabalha em duas linhas de investigação contra o prefeito, a primeira é que ele sabia de tudo e fingia que não sabia de nada e deixava a organização atuar. A segunda é que Roberto Sobrinho participava do esquema diretamente. Porém são apenas suposições.

DESVIOS DE VERBAS

Sobre os prejuízos causados aos cofres públicos, o procurador disse que o dinheiro desviado pode somar até R$ 124 milhões e devem ser devolvidos. Para isso, foram quebrados os sigilos fiscais e bancários de 12 dos envolvidos, entre eles do prefeito afastado Roberto Sobrinho e da ex- chefe de gabinete Mirian Saldaña. “Dificilmente o dinheiro da corrupção fica parado, ele sempre é movimentado em compras de imóveis, veículos.

Dessa forma quebramos esses sigilos e se comprovado, tudo irá voltar ao município”, disse.

INVESTIGAÇÃO FOI DESENCADEADA APÓS CONTRATO SEM LICITAÇÃO

As investigações da Operação Vórtice iniciou em junho do ano passado, depois que o Ministério Público Estadual encontrou séries de irregularidades em contratos da prefeitura. Entres, eles está o da empresa M&E Construtura, que seria responsável de recuperar várias estradas vicinais do município.O MP passou a investigar o caso, após o prefeito afastado Roberto Sobrinho assinar o contrato com a empresa em caráter emergencial, sem precisar passar por licitação e no mesmo dia a construtora iniciar os trabalhos.

Para o MP, dificilmente uma empresa inicia o trabalho no mesmo dia que o contrato é assinado e passou atuar em duas linhas de raciocínio, para tentar entender o “mistério”. Na primeira, quando Roberto Sobrinho assinou o contrato os maquinários já estavam no local de trabalho. A segunda, parte do princípio que o prefeito afastado estaria na área junto com as máquinas.

Depois de levantar as hipóteses, os técnicos do MP foram às linhas que constavam nos documentos e não presenciaram nenhuma obra. Em seguida, entraram em contato com moradores da região que afirmaram que em momento algum máquinas passaram pelas áreas para arrumar as estradas vicinais.

Porém, o que mais chamou a atenção, é que após 26 dias de “trabalho” a prefeitura rescindiu o contrato com a construtora. Apenas nesse pouco tempo foram pagos mais de R$ 1 milhão para a empresa.

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