Prefeitura libera documentos da Kiss à polícia e o município pode ser responsabilizado

Amazonianarede – Ag.Estado

Santa Maria – A prefeitura de Santa Maria informou que encaminhará, ainda nesta terça-feira, à Polícia Civil os documentos da administração municipal sobre o funcionamento da boate Kiss, que pegou fogo na madrugada de domingo (28) deixando 231 mortos. O prefeito Cezar Schirmer tem afirmado que toda a documentação da boate perante a prefeitura estava regular, e que o alvará de funcionamento, concedido à época da abertura da casa era regular, e só foi liberado após a vistoria do corpo de bombeiros.

Na manhã de segunda-feira (28), quando estava no Centro Desportivo Municipal, o prefeito chegou a afirmar que desconhecia restrições ao material utilizado no revestimento acústico da boate. “Os bombeiros deram atestado, a prefeitura só aprova qualquer estabelecimento se tiver o alvará dos bombeiros. Bom, se o material era o certo ou não era certo, aí é uma questão de natureza técnica e não nos cabe opinar. Há um atestado dos bombeiros, de regularidade”, disse o prefeito. A lei municipal de Santa Maria vetava o uso da espuma inflamável, que libera gases tóxicos, como revestimento para esse tipo de ambiente.

A Polícia Civil afirmou ter fortes indícios de que a boate Kiss, em Santa Maria (RS) não poderia estar funcionando. A possibilidade de responsabilização de agentes públicos também foi citada pela primeira vez.

“Nós temos indicadores fortes de que a boate não deveria estar aberta, como o fato de ter apenas uma saída, a superlotação, entre outros. Vamos aguardar os documentos (solicitados à prefeitura), que devem chegar às 16h”, disse o delegado Marcelo Arigony, pouco antes de se reunir com os promotores Veruska Agostine e Joel Oliveira Dutra, do Ministério Público do Rio Grande do Sul.

O delegado também falou pela primeira vez na possibilidade de indiciar agentes públicos no inquérito que apura as causas do incêndio. “Haverá responsabilização de quem quer que seja, independentemente da instituição que seja”, afirmou.

Entenda. O incêndio com mais mortes nos últimos 50 anos no Brasil causou comoção nacional e grande repercussão internacional. Em poucos minutos, mais de 230 pessoas – na maioria jovens – morreram na boate Kiss de Santa Maria – cidade universitária de 261 mil habitantes na região central do Rio Grande do Sul. Outras 127 ficaram feridas.

A tragédia começou às 2h30 de domingo (27/01), quando um músico acendeu um sinalizador para dar início ao show pirotécnico da banda Gurizada Fandangueira. No momento, cerca de 2 mil pessoas acompanhavam a festa organizada por estudantes do primeiro ano das faculdades de Tecnologia de Alimentos, Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Uma fagulha atingiu o sistema de exaustão da casa noturna e o fogo se alastrou rapidamente pelo teto com papelão e material de proteção acústica. A maioria das vítimas, porém, não foi atingida pelas chamas – 90% morreram asfixiadas.

Uma série de erros potencializou a tragédia. Sem porta de emergência nem sinalização, muitas pessoas em pânico e no escuro não conseguiram achar a única saída existente na boate. Com a fumaça, várias morreram perto do banheiro. Para piorar, seguranças da casa tentaram impedir alguns frequentadores de sair antes de pagar a comanda. Na rua estreita, o escoamento do público foi difícil. Bombeiros e voluntários quebraram as paredes externas da boate para aumentar a passagem. Mas, ao tentarem entrar, tiveram de abrir caminho no meio dos corpos para chegar às pessoas que ainda estavam agonizando. Muitos celulares tocavam ao mesmo tempo- eram pais e amigos em busca de informações.

Como o Instituto Médico-Legal não comportava, os corpos foram levados a um ginásio da cidade, onde parentes desesperados passaram o dia fazendo reconhecimento. Lá também foi realizado o velório coletivo.

Ao longo do dia, centenas de manifestações de solidariedade lembraram a tragédia em todo o País. Emocionada, a presidente Dilma Rousseff chorou duas vezes ao falar do caso – ainda no Chile, de manhã, onde deixou um encontro com presidentes, e à tarde, ao lado do governador Tarso Genro, já em Santa Maria.

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