Porto Velho: Brigas são 80% dos delitos nas escolas

Mais de 80% dos delitos cometidos por alunos no âmbito escolar e no perímetro externo das escolas, são agressões físicas entre alunos e 30% são de ameaça a integridade física dos professores. A pesquisa foi feita pelo Programa Educacional de Resistência às Drogas e Violência (Proerd-RO), no final do ano passado, em grandes escolas da Capital, localizadas principalmente nas zonas Leste e Sul.

Os casos de brigas entre alunos tem se tornado cada vez mais frequentes em Rondônia, porque os alunos passaram a postar os vídeos na Internet e disputar qual rixa tem mais acesso.

O coordenador do Proerd, Major PM Cleudemir Holanda, que realizou a pesquisa, explica que é muito difícil obter dados das ocorrências de agressões e delitos no âmbito escolar, pois a maioria das brigas acontecem ao redor da escola e os diretores não sabem como agir ou denunciar.

“Os alunos marcam para brigar no horário da saída, pois eles sabem que se houver agressão dentro do recinto escolar sofrerão as punições previstas no estatuto da escola. Mas se brigarem fora, dificilmente há a presença de polícia”, explica. A moda agora, segundo o diretor Francisco Leonilson, da escola Flora Calheiros, localizada na zona Leste da Capital, é postar as brigas na internet e disputar quem tem mais acesso. “Eles marcam a briga, na praça do bairro, avisam os alunos para ter público, filmam tudo sem interferir e postam no youtube. Depois fazem isso com outras pessoas e ficam monitorando para saber qual briga é a mais acessada e consequentemente a vencedora”, ilustra o diretor. Major Holanda confirma e diz ainda que eles também postam a brigas em partes, para garantir mais popularidade”, conta.

Alunos X Professores

Ainda de acordo com a pesquisa, 39% dos alunos, professores e funcionários concordam que não é oferecida nenhuma condição de segurança aos educadores, dentro ou fora da escola. “Com os professores, eles brigam mais pela questão de notas, ou por serem chamados a atenção em meio a sala de aula. Muitos alunos não gostam de ser contrariados”, ressalta. Uma professora que não quis se identificar relata que já sofreu ameça de vários alunos por conta de notas. “Quando acharam que as notas eram injustas, me agrediram verbalmente e ainda me ameaçaram. Isso acontece mais no período noturno, onde os adolescentes se acham mas donos das suas vidas. É difícil ter que sair da escola depois de discutir com um aluno”, frisa.

Policiamento na comunidade escolar

Uma das propostas para garantir a segurança no recinto e no perímetro escolar, foi apresentada pelo Major Holanda ao governo do estado. O projeto é para a implantação de um policiamento voltado exclusivamente para a comunidade escolar. Segundo o autor, os policiais seriam exclusivos e receberiam um treinamento e conscientização do trabalho nas escolas, através de um estágio específico. Além do policiamento, o projeto contempla palestras de conscientização sobre delitos e uso de drogas, voltadas para os alunos, destacando quanto as consequências do uso de armas, drogas, roubos, furtos e lesões corporais dentro da escola. “Nosso objetivo é cobrar das autoridade a segurança devida, mas também conscientizar os alunos para que o número de delitos diminua”, reforça.

Câmeras de monitoramento na escola

O governo estadual está fazendo um estudo para a implantação de câmeras de monitoramento nas escolas da rede pública da Capital e do interior. Mas, alguns diretores já tomaram essa iniciativa e hoje podem contar com esse reforço na segurança do ambiente escolar. É o caso do diretor Francisco Leonilson. Ele conta que até o relacionamento com os pais ficou melhor. “Agora nós falamos e mostramos o que o aluno está fazendo. Fica mais fácil do pai acreditar no comportamento do filho e nos ajudar a puni-lo. Antes eles não acreditavam que os filhos tinham comportamentos indevidos”.

Outra alternativa para evitar a violência na escola, de acordo com o diretor é manter o aluno ocupado. A escola Flora Calheiros já faz parte do programa Escola Integral, onde os alunos ficam cerca de oito horas na escola, entre as atividades regulares, aulas de reforço e diversos cursos. “Eles se mantem ocupados e não tem muito tempo para pensar em brigas. Até os pais ficam mais tranquilos, pois eles ficam o dia inteiro na escola, ao invés de estar na rua”, comenta o diretor.

(Diário da Amazônia) 

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