Pororoca do rio Araguari corre risco de desaparecer

Macapá – O maior especialista em pororoca do mundo, Sérgio Laus, fez uma revelação preocupante, ontem: “O assoreamento do rio Araguari pode provocar o desaparecimento daquela que já foi considerada a maior onda de rio do planeta, a pororoca”.

A afirmativa de Serginho – que adotou o Amapá e a região do Araguari há 13 anos – é embasada na geografia da região que foi alterada por uma série de fatores. Entre os problemas identificados está a superpopulação bubalina que procriou sem nenhum tipo de controle.

Outro agravante está relacionado à Hidrelétrica de Ferreira Gomes, que represou a água, fazendo com que a correnteza perdesse volume e força. Os danos estariam previstos no Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (EIA/RIMA), do consórcio responsável pela construção da hidrelétrica, mas a informação nunca foi tornada pública.

“É uma situação crítica. Em 13 anos nunca vi nada parecido. O rio está assoreado, e em alguns pontos podemos atravessá-lo com a água pelo joelho. No Verão esses pontos secarão por completo. Para se ter uma ideia, as balsas que fazem o transporte de animais já não conseguem navegar”, disse Laus.

A população bubalina abriu um caminho próximo à Reserva do Lago Piratuba, que se transformou em um gigantesco igarapé, fazendo com que a água salgada do oceano invadisse o rio, provocando a insalubridade da água. Sem força de vazão, o rio, que recebeu toneladas de sedimentos com a entrada da pororoca, não tem força para movimentar o volume de sedimentos para fora, provocando o assoreamento, e consequente baixa da maré.

“É difícil falar isso, mas é a verdade. No segundo semestre nós poderemos não ver mais a pororoca. Para exemplificar isso, antes as ondas atingiam até 4 metros de altura. Nessa última medição a onda não chegou a 1 metro”, observou.

O surfista já conversou com o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP), no sentido de que ele [Randolfe] articule uma reunião com representantes de órgãos ligados ao meio ambiente como Imap, Ibama e Instituto Chico Mendes, dentre outros, além dos governos Federal, Estadual e Municipal, para buscar uma alternativa para o problema.

“Existem medidas que podem regular esse desequilíbrio naquele ecossistema. Mas é preciso que todos se unam para traçar um plano e colocá-lo em execução o mais rápido possível”, concluiu Serginho.

Com essa mudança geográfica no rio Araguari, o Amapá perdeu a primeira posição no ranking mundial de maior pororoca. O estado ocupa agora o terceiro lugar, ficando atrás da China e Indonésia, 1º e 2º lugares, respectivamente, que agora detêm o título de maiores ondas de rio do planeta.

Fonte – Diário do Amapá 

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