
Brasilia – O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de novo inquérito contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para apurar suposta relação entre contas secretas mantidas pelo deputado na Suíça e o desvio de verbas na Petrobras.
O pedido foi protocolado ontem no STF e ainda não foi distribuído. Em tese, as investigações podem envolver crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e evasão de divisas. Como Cunha tem foro privilegiado, ele só pode ser investigado com autorização do STF.
O novo pedido está amparado em informações de relatório do Ministério Público da Suíça, segundo o qual Cunha mantinha quatro contas secretas no país europeu, não declaradas à Receita Federal. Outra prova importante é o depoimento do empresário João Henriques, lobista ligado ao PMDB, preso na 19ª fase da Lava-Jato.
Henriques teria dito à Polícia Federal que fez pagamentos de propina em uma conta na Suíça cujo beneficiário seria Cunha. O pagamento estaria relacionado à compra pela Petrobras de um campo de exploração de petróleo em Benin, na África.
Cunha já responde a denúncia no STF pelos crimes de corrupção e lavagem, acusado de receber propina para viabilizar a contratação de navios-sonda da Petrobras. Nesta manhã, Janot encaminhou ao STF um complemento à denúncia. A intenção do aditamento é incluir na acusação dados revelados pelo lobista Fernando Baiano em delação premiada na Operação Lava-Jato. Baiano teria confirmado a afirmação de outro delator, Júlio Camargo, de que Cunha teria recebido propina no caso.
Amazonianarede