Paraenses montam única galeria de ilustrações

22-07paraMauro Souza e Márcio Guerra saíram de Belém rumo a São Paulo e fizeram história. Criaram a Ornitorrinco, primeira e única galeria de ilustrações do Brasil. Inaugurado no final do ano passado, o espaço já é movimentado. Não só promove uma ou mais exposições por mês, como também se tornou local de encontro e aperfeiçoamento de ilustradores, com cursos, workshops e a presença de artistas renomados como Mauricio de Sousa e Paulo Caruso.

“Nossa trajetória com a ilustração vem desde a universidade de arquitetura, que cursamos na UFPA, em Belém. Depois viemos a São Paulo para aperfeiçoar nossos estudos com pós-graduação e fomos desenvolvendo esse amor pela ilustração. Criar a galeria é uma forma de divulgar o trabalho de ilustradores de todo país, mostrar o que tem de melhor”, explica Márcio Guerra.

A percepção dos sócios de que havia uma demanda entre colecionadores e consumidores de arte por trabalhos de ilustração, já conhecidos nos meios editorial e publicitário, foi sagaz, até porque eles mesmos conhecem bem esse mercado. “Hoje trabalho como autônomo, mas já fiz peças para diversos livros infantis e didáticos de grandes editoras, como Moderna, Saraiva e Ática, além de empresas como Abril, Natura e o banco Itaú. Também fui convidado para fazer as ilustrações das embalagens do chiclete Trident”, relembra Márcio, que trabalhou por dois anos na Mauricio de Sousa Produções e em 2008 resolveu atuar por conta própria.

O sócio Mauro Souza ainda trabalha na empresa de Mauricio de Sousa, na criação e no design de cenários para desenhos animados, paralelamente à galeria. “Mauro também já fez ilustrações para importantes revistas nacionais como ‘Você S.A.’, ‘Recreio’ e ‘Superinteressante’”, explica Márcio.

Localizada no número 520 da Avenida Pompeia, em São Paulo, a Ornitorrinco comercializa ilustrações tanto em seu espaço físico quanto virtual. Os próprios idealizadores fazem a curadoria do material enviado pelos ilustradores e os selecionam para exposições. “Criamos contato com um grupo grande de artistas em todo país e sempre estamos olhando e acompanhando material novo”, explica Márcio, que tem em sua rede gente do Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Amazonas.

No acervo, constam obras de Alexandre Eschenbach, Anderson Nascimento, Attílio, Baptistão, Claudio Gil, Davi Calil, Gonzalo Cárcamo, Jean Galvão, João Montanaro, Julia Bax, Junior Lopes, Kako, Leo Gibran, Marcelo Gomes, Marcio Ramos, Montalvo Machado, Orlando Pedroso, Paulo Caruso, Renato Guedes, Rogério Coelho, Wagner Zuri, Willian Chamorro e Zé Otávio. Na galeria podem ser encontradas séries de gicleé (fine art) criadas pelos artistas representados, com imagens limitadas, numeradas e assinadas por eles, que custam a partir de R$ 60. A loja ainda oferece livros voltados para o segmento de ilustrações e quadrinhos.

Mesmo sem negar a força da mídia digital, que facilita inclusive aos artistas de todo o país enviarem seus trabalhos, a dupla da Ornitorrinco acredita e aposta nas exposições para levar esse material ao público. “O fato da pessoa vir até a galeria e ver a obra física tem um impacto diferente, um impacto físico, isso ajuda na comercialização do trabalho e na relação que a arte estabelece com quem a aprecia”, argumenta Márcio.

Recentemente, a galeria organizou a exposição temática “#Vaitercopa”, com ilustrações de Kleverson, Attílio, Orlando Pedroso (Folha de S. Paulo), Kako, Zuri, William Chamorro, Alexandre Eschenbach, Baptistão (Estadão), Zé Otávio, Anderson Nascimento, Junior Lopes e Jean Galvão (Folha de S. Paulo), em trabalhos sobre futebol. O valor das obras variou entre R$ 120 e R$ 3 mil. Logo após ter sido inaugurada e por conta do aniversário da cidade de São Paulo, a galeria também promoveu uma mostra especial do cartunista e caricaturista Paulo Caruso, intitulada “SP460 com Paulo Caruso”. Hoje, a galeria abre nova mostra: “Imersão”, de Renato Guedes, que fica em cartaz até 16 de agosto, com dez telas em que o artista apresenta a figura humana e suas emoções.

Mesmo com a galeria a todo vapor e sem planos de sair de São Paulo, os paraenses ainda têm fortes laços com Belém, onde moram as famílias. “A galeria tem nos sugado bastante, mas quando vou até a cidade ou alguém vem nos visitar, sempre tem que trazer um bom isopor, daqueles que todo paraense carrega pelos aeroportos, cheio de coisas gostosas”, brinca Márcio.

Fonte: Diário do Pará

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.