Obras investigadas viram “elefante branco”

Boa Vista - RR
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Boa Vista – Fortes indícios de desvio de dinheiro público e o que é pior, inacabadas, as obras caem no esquecimento e passam a ser consumidas pelo tempo. É o caso do mercado modelo, nas imediações da Feira do Passarão, no bairro Caimbé. Mal começou a ser construído, as irregularidades logo apareceram no prédio e as obras pararam. Hoje o local serve apenas como ‘motel’ improvisado e ponto de encontro de viciados.

Outro exemplo de assalto ao erário, a construção faraônica da Orla Taumanan, no Centro, hoje também é investigada por órgãos federais que, sem esboçar muito esforço, logo detectaram inúmeras irregularidades. A então prefeita de Boa Vista, Teresa Jucá, hoje Surita, prometia a construção de quatro plataformas, mas só duas saíram do papel, com a remoção dos moradores do bairro Francisco Caetano Filho, popular Beiral, para conjuntos habitacionais – o que não ocorreu.

“A gente até que ficou na expectativa, mas até hoje continuamos aqui, desassistidos pelo poder público. Estamos cansados de promessas. Esses políticos só vêm aqui para pedir voto, depois somem. Temos que mudar”, comentou o vendedor de peixe Raimundo de Souza Filho, 41 anos, morador do Beiral.

Já com sinais de abandono, com tábuas da rampa quebradas e piso rachado, a Orla aos poucos vem deixando de ser frequentada. Um dos principais cartões postais da Capital, a Taumanan hoje, sem manutenção, abriga debaixo de suas duas plataformas apenas viciados e casais que fazem do local um ‘motel’ ao ar livre.

“Eles (viciados) descem do Beiral e vão usar droga aí embaixo. Pode ver a trilha no meio da mata. Está tudo abandonado mesmo. É até perigoso isso aqui quando anoitece. Por isso, o local deixou de ser freqüentado”, justifica um dono de bar da Orla, que preferiu não se identificar.

A Orla Taumanan é um dos alvos preferidos de promessas de campanha, mas também é investigada pela Justiça. A ação civil de improbidade administrativa 0000391-19.2008.4.01.4200, ajuizada pelo Ministério Público Federal, aponta dano ao erário público federal no valor de R$ 2.858.323,49, montante que faltou para a construção das outras duas plataformas.

Mais um elefante branco. O terminal do Caimbé consumiu alguns milhões e atualmente não é utilizado para o que deveria. Ao invés de servir como terminal de ônibus, o prédio é utilizado pelo Samu e pela Guarda Municipal, além de um telecentro e uma cooperativa de táxis intermunicipais. Na parte superior é visível o descaso com o dinheiro público. Inúmeros boxes e lojas fechadas, consumidas pelo tempo.

“Isso aqui é um símbolo da incompetência administrativa. Olha só quanto desperdício de dinheiro público, grana nossa jogada fora. Está tudo abandonado. Ninguém vem aqui. É só prejuízo”, lamentou um servidor municipal, que preferiu não se identificar, após desocupar um caixa eletrônico no local.

As obras no terminal do Caimbé também são investigadas pela Justiça após a ação civil de improbidade administrativa, número 0002617-02.2005.4.01.4200, movida pelo MPF, que aponta dano ao erário. “É um absurdo. Parece que o Brasil é o país do desperdício do dinheiro público. E o pior é que quem rouba não vai preso, nem devolve o dinheiro do povo”, resignou-se o servidor.
A ambulante Sâmia do Livramento, 57 anos, que vende paçoca no terminal, lamentou a situação. Disse que o descaso acontece porque o povo não aprende na hora de votar. “Temos aí mais uma eleição, mas o que vamos fazer? Vender nosso voto de novo, para dar no que deu?”, questiona a vendedora, semi-analfabeta.

PREFEITURA

Sobre as obras da Orla, Mercado Modelo e Terminal do Caimbé, a Secretaria Municipal de Obras informou, por meio de nota, que a prestação de contas do Terminal do Caimbé foi aprovada tanto pela Suframa quanto pelo Ministério da Integração. Informou que o projeto inicial da Orla Taumanã, orçado em R$ 8 milhões, foi modificado porque o Ministério da Integração mandou apenas R$ 4 milhões, reduzindo o número de plataformas a serem construídas, passando de quatro para duas.

“A reforma do mercado modelo atendeu a todas as exigências do projeto inicial. O mercado Francisco Cabral de Macedo está sendo usado como depósito de material de consumo da Secretaria Municipal de Educação. Em reunião com os produtores rurais, verificou-se que não há interesse por parte da classe em utilizar o local”, diz o texto.

No caso do Terminal do Caimbé, afirma, o local continua a beneficiar a população, pois o espaço é usado por vários órgãos da administração pública, inclusive do Poder Judiciário.

“A Prefeitura de Boa Vista iniciou em julho os trabalhos de recuperação do piso cerâmico, das escadarias de madeira e do deck da plataforma inferior da Orla Taumanan, para substituir 550 metros quadrados de madeira e cem metros quadrados de cerâmica, melhorando o trânsito de pessoas pelo local”, diz outro trecho da nota.

(Por:Folha BV)

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