O que é a Guarda Revolucionária do Irã, classificada como terrorista pela UE?

(Foto: Reprodução/YouTube/@JornaldaRecord) Fonte: D24am. Leia mais em https://d24am.com/mundo/o-que-e-a-guarda-revolucionaria-do-ira-classificada-como-terrorista-pela-ue/

Criado após a Revolução Iraniana de 1979, grupo é subordinado ao líder supremo, Ali Khamenei

Irã- A União Europeia classificou a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) como uma organização terrorista. O grupo, uma unidade de elite das Forças Armadas, é considerado a principal força militar do país e atua, especialmente, na segurança interna.

Criado após a Revolução Iraniana de 1979, o grupo, subordinado ao líder supremo, Ali Khamenei, mantém cerca de 125 mil soldados, segundo estimativas do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos. Diferentes frentes estão envolvidas: forças terrestres, aéreas, navais, cibernéticos, inteligentes e especiais, unidades para missões no exterior.

Outras ramificações incluem a Basij, milícia paramilitar formada por voluntários, que tem como objetivo patrulhar mesquitas, além de atuar na repressão contra civis contrários ao regime de Khamenei. E a Força Quds, designada separadamente pelos Estados Unidos em 2007 como uma organização terrorista.

A IRGC ainda é responsável por controlar o programa de mísseis balísticos e prestar auxílio ao Exército regular do Irã, que dispõe de cerca de 350 mil soldados.

Influência na economia

Para além da questão militar, a IRGC vem ampliando sua influência sobre a economia iraniana.

Uma das frentes se dá por meio do controle do Khatam-al-Anbia, criado na década de 1980 e que tinha como objetivo reconstruir o país no pós-guerra. Atualmente, o conglomerado está à frente de diversos projetos de infraestrutura e investimentos estratégicos.

A IRGC também interfere na fabricação de carros, obras de infraestrutura, como construção de represas, e estradas, e nos setores de energia, farmacêutico e mineração.

UE classificam IRGC como terrorista
A decisão histórica da UE em classificar a IRGC como um grupo terrorista foi tomada pelos ministros das Relações Exteriores do bloco em Bruxelas, na Bélgica.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que a medida “coloca a guarda revolucionária do Irã ao lado de grupos terroristas como Estado Islâmico, Hamas, Hezbollah e Al-Qaeda”.

Organizações de direitos humanos estimam que mais de seis mil pessoas foram mortas em manifestações contra o regime iraniano desde dezembro. Outras 17 mil mortes estão sob investigação.

A inclusão faz com que a UE se junte a uma lista de países que já consideram a IRGC como uma organização terrorista.

Em 2019, durante o primeiro mandato do presidente americano, Donald Trump, os EUA a incluíram na lista. O Canadá fez o mesmo em 2024.

No ano passado, foi a vez da Austrália, após um ataque a uma sinagoga em Melbourne que teve participação da Guarda Revolucionária.

O bloco europeu também aprovou sanções contra 15 pessoas e seis entidades iranianas, incluindo o congelamento de bens e a proibição de viagens para o território europeu. Entre os alvos estão comandantes da guarda e o ministro do interior.

Irã alerta para ‘consequências perigosas’
O Irã reagiu ao anúncio da UE, ameaçando desencadear “consequências perigosas”.

Em um comunicado divulgado pela agência de notícias estatal iraniana IRNA, o Estado-Maior das Forças Armadas do Irã classificou o ato como “ilógico, irresponsável e malicioso”, acusando os líderes europeus de agirem em obediência às políticas dos Estados Unidos e de Israel.

O comunicado afirmou que a Guarda Revolucionária Islâmica desempenhou um papel central no combate a grupos extremistas, incluindo o Estado Islâmico, e alertou que “as consequências perigosas desta decisão hostil e provocativa recairão diretamente sobre os formuladores de políticas europeus”.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, também acusou os governos europeus de intensificarem as tensões e aumentarem o risco de uma guerra mais ampla no Oriente Médio.

“A Europa, ao contrário, está ocupada atiçando as chamas”, escreveu Araghchi no X, argumentando que vários países estão trabalhando para evitar uma guerra total na região, mas os Estados europeus não estão entre eles.

Ele descreveu a designação da IRGC como um “grande erro estratégico” cometido a mando dos Estados Unidos e alertou que a Europa sofreria graves consequências caso um conflito eclodisse, incluindo um aumento nos preços da energia.

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Do R7 Portal d24am

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