Bar São Marcos – tradicional ” bar dos cornos”

Almir Carlos
Almir Carlos
Almir Carlos

Amir Carlos*

O Bar São Marcos, conhecido como Bar dos Cornos, está situado na Rua Floriano Peixoto, ao lado do Edifício Garagem. Uma construção até hoje moderna, com mesas espalhadas pelo salão, cerveja estupidamente gelada e bolinhos de bacalhau de fazerem qualquer mortal suspirar o hummmmmmmmmmmmmmm!

O Bar São Marcos, para quem não sabe, foi o primeiro estabelecimento em Manaus, a vender Chope tirado do Barril e servido em tulipas e canecas. Depois dele, na sequência, o Pinguim na Praça do Congresso e mais tarde o Hamburgão Chopp, no térreo do Edifício Maximino Corrêa, em frente ao Ideal Clube.

Estudantes do Ginásio (Colégio Estadual do Amazonas), na década de 1970… Eu, Anchieta e Jaime, colegas de sala, começamos a frequentar o recinto. Conhecemos um garçom, que ficou nosso chapa, o Márcio. Era aquele tipo franzino, sorridente, simpático e generoso. Não sei como, nem porque, tivemos do Márcio a garantia de todos os sábados após as aulas, ter nosso chope servido, com ou sem dinheiro para pagar. Na realidade, passávamos a semana toda economizando para tomarmos nosso chope no sábado.

Quando estávamos no melhor da festa, o dinheiro acabava, mas, nosso amigo continuava a nos servir. Ficávamos com a responsabilidade de pagar no outro encontro. Essas rodadas continuaram por três anos, até concluirmos o Curso Científico e entrar na Universidade. Tenho convicção de que não ficamos devendo nenhum chope ao nosso querido garçom. Dia desses, fui com a família a uma Pizzaria localizada no Conjunto Débora e, para minha agradável surpresa, lá estava o Márcio sorridente como sempre, servindo as mesas. Apresentei-o a minha esposa e a meus filhos e fiquei até o encerramento do expediente, só para desfrutar de mais algumas horas conversando com ele…

Numa crônica anterior, abordei os barzinhos de Manaus na década de 60/70. Volto a falar, agora do São Marcos, por uma curiosidade que se arrasta há décadas. Muitos me perguntam se eu sei o porquê do nome “Bar dos Cornos”, que até ficou mais conhecido do que o nome original. Pesquisando, perguntando…cheguei a uma história que me foi contada pelo querido amigo, grande jornalista e emérito escritor Carlos Costa, que me disse ter sido contada a ele pelo saudoso Jamel Amed, durante algumas rodadas às sextas-feiras de calor causticante do verão manauara…

Depois de outras histórias que ouvi, envolvendo personagens tradicionais da sociedade amazonense (e que não devo e não posso relatar aqui), sendo estes, moradores das proximidades, dirigiam-se até lá para tomar umas cervejinhas, enquanto um político muito influente fazia uma visitinha a sua estimada comadre. Verdade ou não, nunca se saberá…

Restrinjo-me a contar aquela que me pareceu a mais coerente e aproximada da verdade:

No mês passado tive que ir ao Centro da cidade. Estacionei o carro no Edifício Garagem e fui à Loja onde pretendia comprar um presente e assim procedi; na volta, decidi entrar no São Marcos. Entrei, puxei a cadeira, sentei, pedi uma cerveja e comecei a viajar no tempo…

Lembrei das rodadas com os amigos de infância aos sábados à tarde depois das peladas no Guanabara, com a turma do futebol, dos dias de carnaval, das paqueras…lembrei da história interessante contada por alguns frequentadores(segundo o Jamel), e que afinal de contas era a razão do apelido do Bar – Bar dos Cornos: Diz que em frente, morava um português, seu Manuel, que tinha uma esposa, digamos assim… fogosa! O seu Manuel, já não “dava mais no couro” ou pelo menos não com tanto vigor e a gaja resolveu complementar sua volúpia sexual, com o empregado do lusitano. O dito cujo descobriu toda a safadeza da mulher e mandou que o empregado a levasse com ele, mas, com uma recomendação: que ele nunca a abandonasse…ficasse com ela para todo o sempre!

Passados alguns dias, o seu Manuel com “dor de corno” e muita saudade da esposa, atravessou a rua e foi afogar as mágoas com umas XPTO “canelas de pedreiro” lá no São Marco; ficava horas a fio, taciturno, calado, com lágrimas nos olhos curtindo sua solidão! Todos os dias, a rotina se repetia, até que o seu Manuel morreu. Os empregados do comércio, que sabiam da história, ao convidar um colega para umas doses dizia; _ Vamos tomar umas hoje? e o outro perguntava: _ onde? E este respondia: _ lá naquele bar onde o corno bebe todo dia. Ou : lá no bar do corno! Não sei e nem me perguntem porque, essa pecha foi para o plural!

Verdade ou mentira, o Bar dos Cornos resiste à modernidade. A cerveja continua gelada, o ambiente agradável como sempre, o bolinho me pareceu com a mesma qualidade, mas, a barulheira dos ônibus e das pessoas às centenas transitando e falando alto; o burburinho me incomodou e fiquei só o tempo realmente necessário para relembrar uma época agradável de nossa Manaus, antes sorriso, agora maltratada e tristonha…

No recinto, o número de vendedores ambulantes e pedintes, já incomoda, não temos mais a tranquilidade de outrora…não vi nenhum conhecido dos velhos tempos. Não reconheci ninguém e ninguém me reconheceu…acho que cheguei a variar, pois, tive dúvidas se estava em Manaus…

Degustei minha gelada, apreciei dois ou três bolinhos de bacalhau, paguei a conta levantei, olhei em volta admirando o recinto, sai devagar, pensativo e quase triste.Dirigi-me ao Edifício Garagem. Entrei no carro, manobrei, entrei na Floriano Peixoto e acelerei, como se quisesse me afastar rapidamente do local…ainda deu tempo de ouvir uma vozinha ao longe: _ jornaleeeeeeeeeiro!

Almir Carlos, é professor, pedagogo, advogado e escreve costumeiramente neste Portal sobre histórias e estórias da Manaus antiga.

Obs: Os artigos aasinados, não refletem a piniao do Portal e são de iterira responsabilidade de seus autoriers.

 

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