Números da economia do Amapá estão na contramão, diz economista

29-05amapaMacapá, AP – O cenário econômico não é agradável para o Amapá. Além de uma forte desaceleração na geração de emprego, com saldo negativo de 1.500 entre janeiro e abril de 2014, a economia é ainda mais pressionada com um aumento considerável no custo de vida representado pelo IPC-Macapá, que no acumulado de 12 meses já chega a 10,43% ao ano. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do ministério do Trabalho e Emprego.

Também de acordo com o Cageb, em abril de 2014 foram gerados 460 empregos celetistas, o que representou aumento de 0,57% em relação ao estoque de assalariados com carteira assinada do mês anterior. Esse resultado decorreu do crescimento do emprego, principalmente nos setores do comércio (+789 postos) e da construção civil (+ 106 postos).

Na série ajustada, que incorpora as informações declaradas fora do prazo, nos quatro primeiros meses deste ano houve decréscimo de 1.527 postos (-1,85%), verificando-se crescimento de 0,83% no nível de emprego ou +661 postos de trabalho.
Ainda de acordo com levantamentos do Caged, Macapá é o município que mais apresenta saldo de empregos em abril de 2014 (666), seguido de Ferreira Gomes (215), Pedra Branca (84), Santana (57) e Laranjal do Jari (53). De todos os 16 municípios amapaenses, Serra do Navio é o que apresenta o menor saldo de emprego (zero).

Dados irreais e números na contramão

“No que diz respeito ao crescimento do emprego nos setores do comércio e da construção, a análise vai na contramão dos números, porque se contabiliza apenas o registro formal do emprego nos dois setores (comércio e construção civil), não sendo levado em conta o quantitativo do desemprego. Na construção civil, por exemplo, o aumento de postos ocupados não leva em conta o fato de que as grandes empresas trazem de fora a quase totalidade da mão de obra, em detrimento dos profissionais desempregados no estado”, argumenta o economista.

Para Jurandil, e muito fácil traçar um diagnóstico desse fenômeno, ao levar à tona dois fatos ocorridos no Amapá: nos acidentes ocorridos durante a construção da ponte sobre o rio Vila nova, e no rompimento da barragem da Hidrelétrica do Jari, não foi vitimado nenhum amapaense, tanto que os corpos das vítimas fatais foram levados para sepultamento em seus estados de origem.

“Quando se emprega, não se sente os reflexos no mercado de trabalho, mas quando se desemprega, percebe-se rapidamente o aumento no contingente de desempregados, porque os que vieram de fora permanecem aqui, em busca de emprego”, observa Jurandil Juarez.

Crise

Jurandil Juarez reforça o coro de quem está cético com relação ao aquecimento do mercado de trabalho, principalmente na área da mineração, com a demissão de 2.500 funcionários das minas, em Pedra Branca do Amapari, além do fechamento de fábricas, como a da Coca-Cola, no Distrito Industrial de Santana (-250 postos de trabalho; e da perda de cerca de setecentos postos nos setores moveleiros, construção civil e hidrelétrica, essa em Ferreira Gomes.

Os reflexos na desaceleração da economia, segundo o economista, são claramente sentidos nos pedidos de descadastramentos da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) e da redução drástica da arrecadação daquela autarquia.

“Tudo é reflexo de uma economia que não cresce, que tem uma matriz desequilibrada. A constituição do PIB aponta que o setor estéril da economia (terciário, que engloba comércio e serviços) é o que tem maior participação na economia (88%), enquanto que indústria e agricultura, que são os que tradicionalmente movimentam o setor, têm menos 12%, sendo a agricultura a menor de todas, algo em torno de 3%”, revela o economista, arrematando: “Outro sintoma dessa desaceleração é o fato de que o Amapá é o estado que detém o maior índice no Brasil de pessoas de 18 a 31 anos que não trabalham nem estudam, em torno de 50 mil jovens, o equivalente à população de Laranjal do Jari”.

Fonte: Diário do Amapá

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