Médicos, engenheiros, ecologistas e a floresta

Ronaldo Santos*

De cara, não trata este texto sobre quem é mais ou menos importante. Alguém razoavelmente bem formado (e informado) chega a conclusão que todos os níveis de profissionais e função são igualmente fundamentais para a sociedade. Muito menos que outras profissões são irrelevantes. A discussão aqui é outra.

A recente onda de protestos trouxe, entre outras reflexões, a discussão necessária sobre a necessidade óbvia de boa saúde à população. Entre os pilares deste direito básico estaria a necessidade de mais médicos.

Noutra frente, nos últimos cinco anos – pelo menos – já tínhamos uma chuva de reclames quanto aos poucos engenheiros disponíveis no Brasil: o crescimento econômico demandando mais obras e a consequente necessidades dos profissionais natos aptos a atuar nas construções.

No dois casos, a amazônica tem um papel fulcral. A região é um dos pilares do futuro do pais – já que, aqui, há um potencial cada vez mais falado (mas ainda pouco utilizado racionalmente). Ao mesmo tempo, é uma das regiões mais pobres e menos assistidas na área da saúde.

Boa e má noticia

Estes dois fatos podem levar a duas conclusões (boa e ruim). A boa que o pais está crescendo e, a ruim, que estamos longe de cumprir o bem estar social de todos. Ou seja: crescemos, produzimos renda, mas ainda há má distribuição (a despeito dos avanços do Bolsa Família).

Onde entrariam os ecologistas nesta conversa?
Bem, evidentemente para opor-se ao desenvolvimento pelo desenvolvimento, temos o papel também importante destes profissionais, no caso os ecologistas. Ate porque já passamos da fase em questionar a importância dos bens naturais como valor e patrimônio de todos. Ademais, aqui, preferimos não rotular de maléficos ou de eco-xatos – até porque o movimento verde tem uma razão de ser e uma mensagem importantíssima contra os desmandos da economia de mercado desmedida.

A questão posta é que o contra ponto do crescimento sem cuidados socioambientais tem sido os movimentos ambientais – alguns equilibrados, proativos, construtivos. Outros ainda a provar seus objetivos.

O que podemos aprender

Não é novidade a escassez de cabeças pensantes, formadores de opinião e técnicos especializados na região amazônica. Temos déficit de ao menos 3.000 doutores (leia-se, com diploma de doutorado; as estatísticas do CREA – Conselho Regional de Arquitetura e Agronomia aponta no sentido de poucos engenheiros na região. Nem precisamos falar do numero de médicos.

O que estes três grupos de profissionais podem ou não, finalmente, contribuir para a região? Qual seu papel, qual caminho seguir, qual prioridade?

Pode parecer piegas ou posição em cima do muro. Mas a verdade é que a falta de engenheiros e os protestos pressionando por mais médicos nos levam a concluir a região da floresta mais importante do mundo tem outro desafio: elevar o numero e a qualidade destes profissionais.

Construir mais para gerar mais renda e melhoria de vida e mais profissionais da medicina para garantir o nível de saúde mínimo. Quanto aos ecologistas eles são fundamentais. Ainda que, para muitos e em muitos casos, sejam indigestos.

*Ronaldo Santos é engenheiro agrônomo, acadêmico de Direito e servidor público federal de carreira.

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