Macapá: maré do rio Amazonas invade bairro na orla

Das 500 casas construídas à margem do rio Amazonas, no bairro Araxá, na capital do Amapá, restam apenas 300 moradias. O que antes era a invasão de pessoas agora transformou-se na invasão da natureza.

O local fica no encontro do rio com o Oceano Atlântico, área de subida e descida do nível das águas do Amazonas devido à movimentação da maré. O movimento das águas desgasta o solo e ameaça a vida das famílias que ainda moram na região conhecida como Aturiá.

A destruição do solo e a invasão da água na praia Aturiá também ameaçam destruir uma escola e uma igreja do bairro. A erosão está a menos de 40 metros de distância da escola municipal Maria José. Há um ano, a distância da margem ultrapassava 200 metros. A comunidade está preocupada e cobra urgência na execução da construção de um muro de arrimo, obra anunciada pela Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinf) do Amapá. A construção deveria começar neste mês, mas está adiada por mais 30 dias – sem data exata para início.

A escola tem 925 estudantes matriculados no ensino fundamental e, segundo os moradores, a distância do muro da escola até a beira do rio diminui rapidamente. Eram 45 metros de distância em janeiro. Hoje, passou a 39 metros.

O presidente da Associação dos Moradores do Bairro Araxá, Dalto Saraiva, acompanha o drama dos moradores que temem perder suas casas, principalmente quando ocorre maré lançante (influência da Lua cheia na maré) que eleva o nível do rio e oferece risco de morte. “A gente sempre acompanha a subida do rio. Em dias de Lua a água invade cerca de 500 casas e ficamos aterrorizados”, relatou Saraiva.

Mudança

As famílias que são obrigadas a deixar o local, por ordem da Defesa Civil do Município, recebem aluguel social da Prefeitura de Macapá e do governo estadual. A expectativa de cada morador é ser remanejado para um apartamento de um conjunto habitacional que ainda está em construção, mas já tem nome definido: Aturiá.

O residencial tem 3,4 mil hectares e fica na Vila dos Oliveiras, no bairro Araxá. São 512 apartamentos, divididos em 32 prédios de quatro andares com 16 unidades, cada um. Cada apartamento terá 49 metros quadrados com sala, cozinha, banheiro, dois quartos e área de serviço. Do total de 537 famílias cadastradas como moradoras da área de risco, 25 foram indenizadas pelo Estado e as demais receberão um apartamento no conjunto.

(Fonte: Jornal Extra – AP) 

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