Lula ironiza tomate e ataca oposição em evento dos 10 anos do PT em BH

Belo Horizonte – Com ataques ao senador Aécio Neves (PSDB) e até aos Estados Unidos, o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff participaram, na noite desta segunda-feira, do seminário ‘O Decênio que mudou o Brasil’, que comemorou os 10 anos do Partido dos Trabalhadores no governo federal.

O evento aconteceu no Minascentro, e contou com a presença de militantes e integrantes da legenda em Minas Gerais e no País.

Lula começou o discurso de mais de meia hora criticando a oposição na Venezuela, que segundo o ex-presidente, contesta a vitória do candidato Nicolás Maduro por influência dos Estados Unidos: “Com todo respeito que eu tenho pelos americanos, é engraçado, porque vira e mexe os americanos cismam de contestar uma eleição. (…) Porque que eles não se preocupam um pouco com eles e permitem que nós decida (sic) o nosso destino,” questionou, citando as vitórias “apertadas” dos presidentes americanos John Kennedy e George W. Bush, sobre Richard Nixon e Al Gore, nas décadas de 60 e 2000, respectivamente.

O ex-presidente citou o próprio exemplo para aconselhar a oposição venezuelana a reconhecer a vitória de Maduro: “Eu perdi três eleições seguidas – e a primeira delas todo mundo sabe como é que foi – mas vocês nunca viram eu me queixar. Nunca me queixei. Eu me preparei para outra eleição (…) até que um dia deu certo,” pontuou.

“Tomatezinho”

Em seguida, dentro do celeiro eleitoral de Aécio, o ex-presidente passou a elogiar a presidente Dilma, possível adversária do senador numa eventual disputa pelo Planalto, numa clara estratégia de mostrá-la “como a pessoa que chegou mais preparada para governar”, à frente do próprio Lula e de ex-presidentes como Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas, como definiu.

Lula revelou como primeiro escolheu a presidente para ser ministra das Minas e Energia e depois candidata à sua sucessão “numa reunião que ela entrou com um laptop” e que chegou a ser chamado de “louco”, para afirmar que a presidente saberá conduzir o País naquilo que chamou de crise do tomate, “que já está enchendo o saco,” para exemplificar os rumores de descontrole da inflação.

“Eu tenho visto os discursos, a novidade do tomate, eu já vivi a novidade do pepino no Brasil, já vivi a inflação do chuchu, já vivemos a da farinha mandioca, já vi tudo. Agora, o que eles não sabem (oposição) é que uma mulher, calejada na luta como essa mulher, não vai permitir que um tomatezinho venha quebrar a força da economia de um país que aprendeu a gostar das coisas boas,” disse. “Quando tudo der errado e um tomate estiver enchendo o saco, a gente para de comer tomate. E não vamos jogar tomate nos adversários,” brincou.

Para Lula, antecipar o processo eleitoral é prejudicial para os adversários devido à força da presidente Dilma, que segundo ele é a representante das conquistas da população nesses 10 anos do PT no governo federal: “Esse negócio de fazer comparação, nós faremos em qualquer coisa que eles quiserem. Enquanto eles estão preocupados em antecipar o processo eleitoral, a nossa presidenta não precisa preocupar, apenas cuidar do nosso povo,” disse.

O ex-presidente afirmou ainda que a oposição “começa a levantar absurdos” e que as conquistas sociais implementadas pelo PT formam o melhor cabo eleitoral da presidente, citando os programas Luz para Todos, Minha Casa Minha Vida, ProUni, Fies , entre outros: “Nós precisamos ter consciência do que fizemos nestes dez anos,” afirmou.

Inflação

A presidente Dilma Rousseff foi mais comedida em seu discurso. A presidente agradeceu ao antecessor, a quem chamou de “gênio da comunicação”, e disse que o PT veio para libertar o País, nestes dez anos de governo, “das marcas de um passado desigual”. “Aquele pais que produzia miseráveis ficou para trás,” cutucou.

A presidente chamou os integrantes da oposição de “pessimistas permanentes, especializados em criar ambientes para aqueles que se beneficiam e se enriquecem à custa do desequilíbrio,” citando a crise energética de 2001 e 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso, que segundo Dilma, “a oposição quer que volte.”

“No início deste ano diziam que ia haver racionamento de energia porque esses pessimistas especializados fizeram um racionamento de energia nesse País em 2001 e 2002 e queriam que nós passássemos por isso. Aliás, eles vêm querendo desde 2005. (…) Essa é uma prática que nós sabemos que decorre dessa visão especializada que torce para o Brasil dar errado porque o Brasil não deu certo quando quando eles eram dirigentes, e eles querem que dê errado com a gente dirigente,” afirmou.

“Eu quero afirmar que, ao contrário deles, eu sou uma otimista do Brasil,” completou, enumerando dados da inflação nos últimos meses que segundo a presidente, está em queda: “A de março foi menor que a de fevereiro, que foi menor que a de janeiro. Portanto, quando eu olho para a frente, ela está em queda, apesar do índice anuizado, do ano, ainda estar acima do que consideramos ideal. Mas esta inflação anuizada reflete o que já passou,” e voltou a citar o tomate para afirmar que o principal índice que traz preocupação à população está com tendência de queda.

“Os serviços (…) alimentos, mesmo estigmatizados no tomate, também estão com tendência de queda, asseguro a vocês. Há nove anos seguidos que a inflação fica na meta. Faço parte do governo, e fiz, do qual nunca negociamos com a inflação, não abrimos concessão, principalmente pelo mal que ela causa.” Continuou. “O controle da inflação é uma conquista destes dez anos. Jamais vamos colocar em risco aquilo que conquistamos,” concluiu. “ Vou repetir – a inflação está sob controle,” garantiu.

Fonte – JB

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