IPAAM analisa resgate ou permanência de animais silvestres em trecho da Av. das Flores

A fauna existente no fragmento florestal vizinho ao conjunto Nova Cidade, localizado na zona norte de Manaus, por onde vai passar o trecho IV, parte 1, da avenida das Flores, obra do Governo do Estado do Amazonas, foi mais uma vez assunto de reunião coordenada pelo Instituo de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), ocorrida na manhã desta terça-feira (20), na sede da construtora ETAM, na avenida Margarita, Cidade Nova.

Estiveram reunidos IPAAM, Etam, Seinfra e Laghi Engenharia, organizações diretamente envolvidas com o projeto de abertura da avenida das Flores, e Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por meio do pesquisador Marcelo Gordo, especialista em sauins de coleira, a convite do presidente do IPAAM, Antonio Ademir Stroski.

Suelen Fonseca, moradora do conjunto e voluntária na defesa dos sauins de coleira e demais espécies da fauna que habitam o fragmento florestal, participou disponibilizando imagens e informações dos seus arquivos pessoais.

A primeira reunião ocorreu há uma semana, 13 de agosto, no mesmo local, reunindo os mesmos profissionais. Nas duas reuniões, sob a coordenação da gerente de fauna do IPAAM, Sonia Canto, os participantes analisaram meticulosamente o traçado da avenida das Flores no trecho IV procurando compreender a dinâmica entre a avenida, o fragmento florestal e a fauna presente nele para definir a melhor forma de proteger as várias espécies, principalmente o sauim de coleira (saguinus bicolor), primata exclusivo do Amazonas, com ênfase em Manaus, no topo da lista de animais ameaçados de extinção.

Sônia Canto entende que o esforço do grupo é pelo meio termo. “O papel do órgão (IPAAM) é proteger os animais e não prejudicar o andamento da obra. Não concordamos com nenhuma das extremidades, ou seja, nem com o discurso daqueles que querem parar a avenida pela preservação da fauna, nem com aqueles que querem a avenida finalizada não importando se macacos, preguiças, cobras e aves vão sair perdendo”, comentou a gerente.

Suelen Fonseca assegura, com sua experiência de 11 anos como vizinha do fragmento florestal e o acervo de fotos que possui, tratar-se de “área muito rica em fauna, não só sauim”.

Enquanto na primeira reunião o foco dos debates foi no resgate da fauna, nesta segunda reunião, as discussões centraram-se mais na permanência dos animais no local com propostas de passagens aéreas e subterrâneas para que a fauna possa transpor a avenida, acessando a mata do outro lado da avenida.

Foram comentados aspectos como a oferta de água para a fauna diante do sistema de drenagem da avenida e desta em relação às nascentes, a introdução de vegetação nas passagens aéreas e subterrâneas, placas de sinalização de área verde e até mesmo a possibilidade de uma parte do fragmento desmatado pela obra, vir a ser recomposto com vegetação ao término da construção, ampliando o tamanho da área de mata novamente.

O pesquisador Marcelo Gordo e os responsáveis pela Laghi e Secretaria Estadual de Iinfraestrutura (Seinfra), vão definir quais as coordenadas geográficas do traçado da avenida em todos os seus trechos que vai ser adequado às passagens de fauna (passarelas e trincheiras). “A convite do IPAAM, a gente sugere, mas cabe à Seinfra avaliar os custos e a viabilidade de fazer (passarelas e trincheiras)”, afirmou Gordo.

(Amazonianarede – Ipaam)

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