Ibama faz vistoria no rio Madeira

Porto Velho – Uma equipe do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) fez uma vistoria no rio Madeira na última semana (14 e 15 de maio), para verificar se os desbarrancamentos registrados na margem do Madeira, entre a usina de Santo Antônio e a ponte do Madeira, estão sendo intensificados com operações feitas na hidrelétrica.

As oscilações constantes do nível do rio – ocorrência registrada depois do empreendimento, que os beiradeiros apelidaram de “marolas” – estariam aumentando o fenômeno chamado de “terras caídas”, que é típico da região.

As informações são do coordenador da Defesa Civil da prefeitura de Porto Velho, coronel Pimentel. O órgão aguarda o posicionamento do Ibama, que é responsável pelo licenciamento das usinas hidrelétricas do Madeira, sobre a situação.

Há quatro meses, a coordenadoria solicitou à Santo Antônio Energia a adoção de medidas de proteção ao barranco, mais precisamente a colocação de uma parede de pedras na margem do rio – o chamado enrocamento – desde a usina até a ponte do rio Madeira. No ano passado, a empresa fez a proteção do barranco desde o empreendimento até o bairro Triângulo e informa que “tecnicamente, não é viável a obra de enrocamento à jusante do Porto Cai N’Água, porque poderia danificar os cascos das embarcações que ali atracam”. A negativa da empresa à solicitação da prefeitura foi informada ao Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual.

De acordo com o chefe da Divisão de Minimização de Desastres da Defesa Civil municipal, Natanael Costa Moura, as variações do nível do Madeira estão muito acima do que ocorria antes da construção da hidrelétrica. “O rio subia 2, 3 centímetros por dia e atualmente as oscilações são muito maiores. No último domingo, citou ele, o rio chegou a 11m30 e na segunda-feira, a medição foi de 11m18. Doze centímetros de diferença em apenas um dia é muito grande e é improvável que esta oscilação seja resultante do enchimento e esvaziamento da foz do rio”, considera.

Interdição dos mirantes

O deslizamento dos barrancos do Madeira obrigou à interdição de dois mirantes em Porto Velho. No mirante localizado no final da avenida Carlos Gomes, a força dos banzeiros se somou ao fato de a edificação estar em cima de uma galeria fluvial, de acordo com Natanael Costa Moura. As interdições continuam sem previsão, até que seja construída outra galeria e sejam providenciadas obras de contenção do barranco. A Santo Antônio ressalta que o Mirante III, ao lado da igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, está distante das margens do rio e encontra-se em áreas de encostas íngremes, instáveis, sem drenagem pluvial adequada e com ausência de cobertura vegetal que protege os terrenos das chuvas.

A empresa informa que recentemente realizou vistoria na margem direita do rio Madeira, na região onde estão localizados os mirantes, com a presença de engenheiros da prefeitura e da Secretaria Municipal de Projetos e Obras Especiais e “não foi observada nenhuma anormalidade no comportamento do rio, conforme apontado nos monitoramentos realizados desde o ano passado”. Segundo a Santo Antônio Energia, “o bairro Arigolândia fica abaixo do Cai N´Água, depois da curva do rio Madeira, o que minimiza influência das águas vertidas pela usina.

Erosão afeta também os distritos

Os desbarrancamento no Madeira também estão afetando os distritos. Em São Carlos e Calama, 16 casas foram interditadas. Em cada um deles, a erosão intensa é verificada ao longo de 15 metros de barranco. Outras 16 casas foram interditadas no Milagres e mais duas na comunidade de São Sebastião. A situação é mais crítica em São Carlos, onde recentemente cerca de 5 metros do barranco foram engolidos pelo Madeira. A Defesa Civil está cumprindo uma série de exigências do Ministério da Integração e informando ao órgão sobre os deslizamentos, para a liberação de recursos necessários para solucionar o problema. A prefeitura utiliza dados fornecidos pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) para monitorar a região.

Situação é crítica na praça Madeira-Mamoré

A situação é preocupante na praça da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, cuja obra de revitalização ainda está em andamento. A erosão está levando boa parte do barranco e pode afetar o acervo, de acordo com o coordenador da Defesa Civil, coronel Pinheiro. Do barranco dá para perceber um vão crescente embaixo do pier. O Coronel Pimentel alerta para a situação, que pode se tornar crítica se o desbarrancamento não for contido. A Santo Antônio Energia informa que fez avaliações técnicas da situação e chegou à conclusão “que o problema é causado pela deficiência ou inexistência de drenagem pluvial – canaletas, escadas ou bacias de dissipação – que conduza a água das chuvas até a margem do rio sem provocar danos”.

(Diário da Amazônia)

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