Governo do Amapá se omite e trabalhadores criam movimento “Jari Vale Mais”

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Amazonianarede – A Gazeta

Macapá – Os funcionários da fábrica de papel Jari Celulose S/A (Jarcel) correm contra o tempo para mobilizar as autoridades amapaenses e evitar o fechamento da empresa anunciado pelo Grupo Orsa, que controla o projeto desde 2000.

Semelhante ao que aconteceu em 1997 num movimento que ficou conhecido como SOS Jari para recuperar a empresa (antes pertencente ao americano Daniel Keith Ludwing desde 1967) – quando o trabalho ficou parado por 75 dias por causa de um sinistro que destruiu os cabos de comando e controle da fábrica de geração de vapor/energia elétrica e planta química – a sociedade civil organizada volta a se mobilizar dessa vez no “Movimento Jari Vale Mais” para que as portas do empreendimento não fechem novamente.

A onda de demissão só não aconteceu imediatamente no início de novembro quando os funcionários ficaram sabendo da decisão da Jarcel, porque eles pediram um tempo para tentar reverter a situação e esse prazo se esgota no fim desse mês. A Jari Celulose justificou o encerramento das atividades pelo prazo mínimo de 10 meses devido à baixa escala da planta na região do Vale do Jari e o consequente prejuízo acumulado nos últimos quatro anos com altos custos para manter a produção. Durante o tempo de paralisação das atividades, a empresa disse pretender buscar alternativas para que se torne viável para competir no mercado internacional.

Desde então o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Celulose de Laranjal do Jarí e Monte Dourado (Sintracel), que representa os seis mil funcionários diretos e indiretos da fábrica, tenta sensibilizar o Governo do Estado e os parlamentares amapaenses para encontrar uma solução para o problema. A situação já foi exposta na Câmara dos Deputados pela atuação da deputada Dalva Figueiredo (PT).

O que mais intriga os trabalhadores é que em março deste ano, o gerente de sustentabilidade e relações instituições do Grupo Orsa, Augusto Praxedes, apresentou ao governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), o projeto de uma nova fábrica que pretende instalar no Vale do Jari com estimativa de geração de mais 10 mil vagas de empregos no estado. E ainda, um projeto de manejo florestal sustentável de 545 mil hectares para aumentar a produção de celulose.

Desde o anúncio do fechamento do Projeto Jari, o governo do Amapá não tomou nenhuma atitude sequer. Não houve pedidos de explicações e muito menos uma ação direta na região, mesmo que fosse do setor social, já que Laranjal do Jari onde vivem 35 mil pessoas sobrevive economicamente da atividade da fábrica de papel e celulose implantada na região desde a década de setenta.

Esta semana, os sindicalistas cumprem agenda em Brasília (DF) junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e aguardam a visita do governador Camilo Capiberibe (PSB), marcada para quarta-feira (21) no Vale do Jari.

Depois disso, farão um grande ato público em Monte Dourado, no município de Almeirim (PA), onde está localizada a fábrica, na fronteira do município de Laranjal do Jari (AP) para chamar a atenção dos gestores. “É difícil correr contra o tempo. Está um clima de terror aqui. Precisamos que o nosso grito de socorro seja ouvido porque não são somente os funcionários que vão sofrer com o fechamento da fábrica, mas milhares de pessoas que vivem no entorno e dependem do funcionamento dela para manter seus empreendimentos”, alerta um dos dirigentes do Sintracel, Francisco Pereira da Silva.

Garantias

Mesmo que os trabalhadores não obtenham êxito e a paralisação das atividades da Jari Celulose seja efetivada, o Sindicato já estuda formas de compensar as perdas dos funcionários. De acordo com o sindicalista, Francisco Pereira, garantias como plano de saúde, cesta básica, entre outros benefícios irão para a mesa de negociação para que os funcionários sejam assistidos pela fábrica durante o tempo em que ela estiver fechada.

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