Friagem trás sofrimento para moradores de rua em Rio Branco

A falta de agasalho e o frio das calçadas intensificam o sofrimento dos que adotaram as ruas como lar.

A frente fria que se estende sobre município nos últimos dias fez aumentar o nível de sofrimento dos moradores de rua, que dividem as calçadas do mercado Elias Mansour, no centro da cidade. Unidos pelo companheirismo em meio ao infortúnio, muitos buscam anestesiar a rudeza do frio com por meio do consumo de álcool e de outras drogas.

São dezenas de homens e mulheres com idade que variam de 19 a 50 anos, ou mais, que perambulam no espaço entre o Mercado Elias Mansour, o Camelódromo e o Terminal Urbano. Todos têm uma história para contar. A maioria fala de abandono, de solidão e de dependência química, mas cultiva o sonho de um dia mudar de vida.

“Vim parar na rua depois que meus pais morreram. Hoje não tenho ninguém da família com que contar”, afirma Silvio da Silva Brito, 42, que divide as calçadas do mercado com outros que vivem a mesma situação. “A gente aqui não vive. A gente vegeta”, reclamou Silvio, ao acrescentar que alguns goles de álcool o ajudam a diminuir o sofrimento.

Um de seus colegas que não quis se identificar disse que a recuperação dos dependentes do álcool e de outras drogas exige uma grande força de vontade e oportunidade. “Não adianta o esforço de terceiros, se não houver a força de vontade do usuário. Só em pensar em enfrentar os sofrimentos diários de frente e de cara limpa, sem a anestesia dos produtos químicos, já desanima a muitos”, detalha.

A também moradora de rua Dalila Farias Bezerra, 48, diz que está com problema de saúde, mas, não sabe se está grávida ou com cirrose hepática. Pálida, estava sentada na em uma calçada próxima ao Terminal Urbano, com um hematoma no rosto e a barriga acentuada, apesar de não aparentar gordura.

“Tive uma briga com meu ex-marido e estou na rua. Por causa do excesso no consumo de bebida também perdi a ajuda financeira que recebia do governo federal”, detalha. Sentado próximo à mulher estava o jovem Jackson Bira Cavalcante, 21, que também reclamou do frio que enfrentou nas últimas duas noites e disse que estava cansado do sofrimento. “Gostaria de ser encaminhado a uma clínica de recuperação”, adiantou.

Intervenção do Natera

A equipe do Núcleo de Atendimento Terapêutico (Natera), da Coordenadoria Criminal do Ministério Público Estadual (MP) fez contato ontem como município, no sentido de que haja o encaminhamento dessas pessoas para tratamento e recuperação da dependência química ou do acolhimento na saúde básica, para o caso dos portadores de outras doenças.

O chefe do Núcleo e titular da Coordenadoria Criminal, o procurador de justiça Oswaldo D’Albuquerque Neto, destacou o trabalho que a Secretaria Municipal de Saúde e outros órgãos já realizam no sentido de visitar os moradores das ruas e oferecer os serviços de acolhimento e recuperação. “No que depender do grupo do Natera, também vamos estar sempre a postos para ajudar”, garantiu.

Consultório de Rua

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) mantém ativa uma equipe que desenvolve o programa “Consultório na Rua”, voltado para o atendimento às pessoas que adotaram as calçadas das vias como moradia. O grupo trabalha com ênfase no estímulo à recuperação da dependência química e percorre as ruas de Rio Branco das 16 às 22 horas.

Os profissionais conversam com os dependentes, escutam suas histórias e divulgam os serviços oferecidos pela Unidade de Acolhimento Paolo Pera, localizada na Rodovia AC-40, 5.816, bairro Santa Maria. O espaço foi criado pela Prefeitura de Rio Branco para abrigar e auxiliar na recuperação dos dependentes. As equipes do acolhimento podem ser encontradas por meio dos seguintes telefones: Cades – 3223-2304 e Unidade de Acolhimento Paolo Pera – 3221-2509.

Dependência química é doença

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a dependência química como uma doença progressiva e de determinação fatal, isto é, que leva à morte do usuário, caso o consumo das substâncias tóxicas (álcool e outras drogas) não for interrompido. A enfermidade não tem cura ou vacina, mas, pode ser tratada por meio do trabalho de recuperação oferecido pelos governos e centros terapêuticos.

(Por: Val Salles – Página 20) 

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