Fórum Econômico Mundial liga alerta para desemprego

(Foto: Divulgação)

Documento aponta os dez temas que serão discutidos pelos líderes mundiais na Suíça, no mês de janeiro. A ineficácia das políticas econômicas dos países desenvolvidos em combater o desemprego deve dominar a agenda.

Os organizadores do Fórum Econômico Mundial divulgaram nesta sexta-feira a agenda dos principais temas que serão abordados durante o próximo encontro de líderes políticos e econômicos em Davos, na Suíça. Uma prévia do evento de janeiro ocorrerá na próxima semana, em Abu Dhabi, e detalhará os pontos relevantes do documento aos principais apoiadores do Fórum. Previsto para ocorrer entre 22 e 25 de janeiro, o evento de Davos tratará de temas latentes em 2013, como as tensões no Oriente Médio e na África, os ataques virtuais e a espionagem. Contudo, segundo seus coordenadores, os debates devem priorizar questões como a ineficácia das políticas econômicas dos países desenvolvidos para impulsionar a retomada de crescimento e o crescente desemprego estrutural nos países da zona do euro — sobretudo nos mais afetados pela crise, como Espanha, Portugal e Grécia.

A agenda evidencia a correlação entre os dez temas e como as lideranças podem se articular para solucionar os problemas mais urgentes ao longo dos próximos meses. O documento mostra ainda as tendências para o futuro, como a exploração de gás de xisto nos Estados Unidos, a biotecnologia, o futuro da democracia e o papel das multinacionais de países emergentes, que se tornam cada vez mais poderosas e atuantes em escala global. “O aumento da correlação entre os problemas mais evidentes do mundo pede novos métodos e soluções. Campos intelectuais tradicionais estão mudando e convergindo para conseguirem responder às questões mais complexas relacionadas à nossa sociedade globalizada”, afirma a presidente da Universidade de Harvard, Drew Faust, no prefácio do documento.

Desemprego estrutural – O texto aponta para a mudança em relação à visão que os líderes dos países desenvolvidos têm em relação ao desemprego. Não se trata, segundo os coordenadores da agenda, de problemas pontuais causados pela crise. Eles enxergam o desemprego como uma doença global que deve ser combatida de forma conjunta — e não por meio de medidas protecionistas. “Os governos precisam criar estruturas regulatórias que encorajem o emprego e a estabilidade econômica. É preciso incentivar empresas a criar empregos e, então, investir em seus trabalhadores”, afirma o indiano S.D. Shibulal, presidente do conglomerado de tecnologia Infosys.

Segundo Shibulal, é preciso combater o desemprego por meio da inovação e do investimento em escala global. “Não se trata de um problema nacional. Então é essencial que os governos e o setor privado tenham uma visão global sobre o desemprego e resistam à tendência protecionista”, afirma. A consciência da falta de trabalho como um problema estrutural é mais latente nos países com maior índice de desemprego, como na Europa, na África Subsaariana e nos Estados Unidos.

Uma pesquisa feita pelo Fórum com 1 500 pessoas em todo o mundo aponta que nessas regiões, mais da metade dos entrevistados acredita que tal problema deve ser prioritário para os governos. Na África, esse porcentual sobe para 81%. Já em países em crescimento mais acelerado, como os da América Latina e da Ásia, o porcentual recua para 29% e 31%, respectivamente.

Uma das conclusões da pesquisa sobre desemprego feita pelos organizadores do Fórum aponta para os efeitos sociopolíticos de uma juventude sem esperança. “Uma geração que começa a carreira completamente na desesperança estará muito mais suscetível a políticas populistas”, diz o texto. A agenda ainda mostra que é justamente a demora dos líderes em lidar com o desemprego como um problema estrutural que faz com que as políticas econômicas tenham mostrado ineficácia em impulsionar o crescimento.

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