Estarrecedor: Imagens mostram bebês em caixas de papelão, na Santa Casa do Pará

Belém – Um funcionário que não quis se identificar enviou ontem à produção da RBA TV um vídeo gravado em telefone celular mostrando as inóspitas condições do vestiário destinado aos servidores da Santa Casa de Misericórdia, o hospital materno-infantil que é referência no Estado do Pará.

As imagens são absolutamente estarrecedoras: banheiros imundos, inundações pelos corredores e nenhum espaço para descanso dos plantonistas. 

Mais grave ainda é a imagem de bebês recém-nascidos colocados em caixas de papelão. “Desde que o governo assumiu, em 2011, e a nova gestão da Santa Casa assumiu, nenhum tipo de melhoria ou investimento foi feito”, denuncia Flávio Roberto Costa, presidente da Associação de Funcionários da Santa Casa. “Mortes de prematuros são comuns, mas não em um quantitativo desses”, dispara. Apenas nos 24 primeiros dias de junho foram 42 mortes, segundo o Sindicato dos Médicos do Estado do Pará (Sindmepa).

No vídeo é possível ouvir reclamações do tipo “isso está imundo” e até mesmo um funcionário passando e pedindo para não ser filmado. O banheiro, sem assento no sanitário, tem lixo e sujeira espalhados pelo chão. “O que as imagens mostram é rotina para quem trabalha na saúde do Estado. Há locais que nem mesmo área para repouso dos plantonistas tem”, confirma o presidente do Sindmepa, João Gouveia.

“Os médicos hoje em dia estão fazendo paralisações mais por condições de trabalho do que por salário. Bons salários são importantes, mas não há valor que segure o profissional em ambiente onde não se tenha condições de trabalhar, que não tenha um local de repouso para quem passa 12 horas de plantão”, afirma.

Discurso

Gouveia insiste ainda que o discurso do governo de Jatene não condiz com a realidade. “A secretaria de Saúde diz que está tudo uma maravilha, mas a gente sabe que não é assim. Eu mesmo trabalhei 21 anos em emergência e deitava quando podia para descansar em macas desocupadas”, recorda.

“Temos que denunciar o descaso do governo e da gestão da Santa Casa, é nosso dever de servidores e de cidadãos. Nós não vamos cruzar os braços”, insiste Flávio Costa. “Há bactérias, sim, dentro da Santa Casa, e a direção sabe disso. Trabalho no laboratório, tenho acesso a hemoculturas que comprovam isso, querem até me tirar de lá por causa das denúncias que faço. Ocorrem óbitos no hospital e os prontuários são recolhidos, que é pra empurrar a realidade para debaixo do tapete”, revela.

A advogada Gabriela Abreu, membro da Comissão de Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB-PA), informa que nenhuma denúncia relacionada à situação foi formalizada junto à entidade, mas afirma que a Ordem pode juntar forças junto ao Ministério Público para averiguar o que está ocorrendo.

“Dependendo do tipo de denúncia que chegar até nós, podemos agendar visitas, ajudar o MP na apuração e, junto dele, que tem mais poder de atuação legal, até mesmo formalizar ação civil pública para definir uma atitude a ser tomada”, adianta. “A situação é grave porque coloca em risco os funcionários e, consequentemente, os usuários do serviço que a Santa Casa oferece” reforça.

Em nota enviada à RBATV, a direção da Santa Casa insiste que as mortes dos bebês ocorridas recentemente, tem a ver não com as condições do hospital, mas com os quadros clínicos das mães e dos recém nascidos, que revelam má formação congênita, baixo peso, uso de drogas durante a gestação, doenças sexualmente transmissíveis e resquícios de medicamentos abortivos.

(Diário do Pará) 

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