Escolha de ministros desagrada aliados mais próximos e exaspera puristas

28-12dilmaBrasília – Na montagem da equipe para enfrentar os desdobramentos do escândalo da Petrobras no próximo ano, Dilma tem atuado com uma lógica própria.

Eleita com 51,6% dos votos válidos no final de outubro, a presidente Dilma Rousseff prometeu, em seu discurso da vitória, unificar os brasileiros a partir de 1º de janeiro. Mas está encontrando dificuldades para obter consensos nas escolhas para o próprio ministério. Além de enfrentar resistência na base de apoio e desagradar politicamente os mais diferentes setores, as opções escolhidas desconsideraram princípios, digamos, mais puros. O anúncio do início da semana veio com nomes enrolados no Supremo Tribunal Federal (STF) ou com passado nebuloso. O arranjo político encontrado por Dilma para enfrentar a crise, principalmente em decorrência dos desdobramentos da Operação Lava-Jato, ignorou até, por exemplo, a vida pregressa do novo ministro do Esporte, George Hilton, flagrado pela Polícia Federal, em 2005, com R$ 600 mil em espécie num jatinho particular fretado pela Igreja Universal do Reino de Deus.

Contra o pastor licenciado George Hilton, ainda pesa o fato de ele ter omitido da Justiça Eleitoral propriedade numa empresa devedora da União. O senador Eduardo Braga, que vai assumir a pasta de Minas e Energia, é investigado pelo STF por suposto crime eleitoral quando governava o Amazonas. Kátia Abreu, que vai para a Agricultura, enfrentou resistência tanto do setor produtivo quanto dos movimentos sociais. Ela também responde no STF por ter utilizado o Brasão da República, um símbolo oficial, em documentos da entidade que preside, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. O time dos encrencados com a Justiça ainda conta com Helder Barbalho, filho do senador Jader Barbalho. Ele responde a processos por improbidade administrativa na Justiça Federal do Pará por suspeita de desvio de recursos da Saúde, em 2005, quando era prefeito de Ananindeua. Em seis anos, o patrimônio do candidato derrotado ao governo do Pará aumentou 183%.

O fato é que Dilma já foi criticada pela esquerda petista, pelo campo majoritário do PT, pelos ruralistas, pelos peemedebistas e até por uma parte do PCdoB, que ainda não entende por que a legenda perdeu o Ministério do Esporte. Aldo Rebelo, agora, será o ministro da Ciência e Tecnologia. A troca também é motivo de crítica. É o homem errado no lugar errado. Em 1994, Rebelo apresentou projeto de lei para proibir a “adoção, pelos órgãos públicos, de inovação tecnológica poupadora de mão de obra”. Além disso, ele criticou, no passado, políticas de prevenção do aquecimento global, outra área de interesse do ministério.

A presidente vai montando a equação ministerial, pensando mais nela e em seu governo do que nos aliados que a ajudaram a conquistar mais quatro anos de poder para o Palácio do Planalto. As primeiras queixas vêm, exatamente, do partido ao qual é filiada — o PT. Embora ainda não confirmado pela presidente, a indicação do deputado Pepe Vargas (RS) para a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) tem desagrado o campo majoritário do partido, incluindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os lulistas estão incomodados com o Planalto “dilmista” que se desenha. O chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, é mais próximo da presidente do que do antecessor. Miguel Rossetto, que assumirá a Secretaria-Geral no lugar de Gilberto Carvalho, foi coordenador-geral da campanha de reeleição de Dilma. E Vargas foi ministro do Desenvolvimento Agrário ao longo do primeiro mandato.

Fonte: Correio Web

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