Entressafra: saca do açaí chega a R$ 330 no Amapá

Amazonianarede – Diário do Amapá

Macapá – O período de entressafra elevou em mais de 100% o preço da saca do açaí no Amapá. No Igarapé da Fortaleza, por exemplo, onde existe a maior concentração de pontos de venda do produto ‘in natura’, o valor da saca bateu os R$ 330,00.

Em função disso, nas amassadeiras o preço do bruto chega a custar R$ 12,00 (o litro comum) e R$ 30,00 (o especial). Os batedores afirmam que os atravessadores também são culpados pelo aumento do preço desenfreado.

“Tem muita fruta no pé verde, mas só vai ‘pretar’ após o mês de março. Os clientes reclamam, mas não podemos fazer nada. Compramos a saca por um valor elevado, logo esse percentual é repassado, também, ao consumidor”, afirmou Raimundo Neves, 51 anos, vendedor no bairro Perpétuo Socorro.

Raimundo vende o litro no valor mais barato encontrado, R$ 9,00. Ele afirma que quando chegar a safra o preço vai cair para até R$ 3,00. Já o vendedor Manuel Nunes afirma que a alta do preço é devido aos barqueiros que querem ganhar muito. “Está em falta, mas não é tanto assim. Paguei R$ 255 na saca fora o frete, mas acho que vai melhorar daqui uns dois meses”, assegurou.

A pesar de ser um fruto típico da região amazônica, o açaí tem sua época certa. Natural das áreas alagadas, a árvore precisa de muita água para poder amadurecer os cachos. Com as chuvas iniciadas há pouco tempo, é esperado mais dois meses para que o fruto fique no ponto de ser apanhado.

Os consumidores reclamam do valor alto, mas como o vinho não pode faltar à mesa do amapaense, apenas diminuíram a periodicidade do consumo. “Antes tomava todo dia, agora é dia sim, dia não. Além do açaí, tem a questão da farinha que também subiu de preço”, afirmou o autônomo José Cleonildo.

Existe em Macapá um sindicato dos batedores de açaí em fase regularização, e seu representante, Eduardo Serrão, afirma que o go-verno e órgãos como Embrapa e Iepa tem se esforçado para aumentar a produção, melhorar a padronização das batedeiras, e na promoção do fruto. “A questão da palmeira que dá na terra firme é uma boa alternativa, mas ainda é muito pouco. O governo deve investir mais no aumento da produção para que na entressafra o açaí não fique tão caro”, explicou. (Álvaro Penha)

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