

O empresário Aluísio da Silva Alves, um dos seis presos da “Operação Apagar das Luzes”, que investigou diversos crimes cometidos na administração do ex-prefeito do município do Careiro Castanho (a 102 km de Manaus), Hamilton Villar (PMDB), fez revelações sobre o funcionamento do esquema criminoso e teve a prisão preventiva revogada pela colaboração premiada.
Aluísio foi identificado pelas investigações como um membro bastante atuante na organização criminosa que cometeu fraudes em licitações, desviou dinheiro público, peculato entre outros crimes.
No dia 24 de janeiro, após ser preso preventivamente, o empresário resolveu contar aos delegados da operação como ocorria parte do esquema. Segundo Aluísio, durante a gestão de Hamilton Villar existiam empresas “preferidas” para atuar na administração municipal, entre elas a Analu e JR Viana, do empresário preso José Roberto Costa, o “Zequinha”; Construtora Gargarim; e a SC Comércio, do empresário Sérgio César Moreno, o “Coco Seco”, que também foi preso.

Era por meio dessas empresas que os contratos eram direcionadas. “A construtora Gargarim foi vencedora de contratos para manutenção de ramais (raspagem e “piçarra”), mas que nunca executou a obra; que os serviços que seriam de sua incumbência eram executados por maquinas da prefeitura e servidores da prefeitura; que embora não tenham executado, os valores referentes à execução do contrato eram creditados na conta da empresa normalmente; que essas eram a forma que usavam para desviar dinheiro: quando o prefeito necessitava, ordenava o pagamento como se tivesse havido medição do serviço e, creditado na conta da empresa, havia o saque ficando o empreiteiro e responsável pela empresa com 10% do valor”, revelou Aluísio Alves na delação.
Barco e hotel de turismo
O empresário também contou como era feito o desvio de combustível da prefeitura do Careiro Castanho para um barco e um hotel de turismo no Rio Tupana pertencentes ao ex-prefeito Hamilton Villar.
Segundo a delação, Villar seria dono da empresa São José Artigos de Pesca e Turismo, cujo nome fantasia era “Pousada Anaconda”, que utilizava óleo diesel e gasolina pagos pela prefeitura para serem usados na lancha Yleus e na pousada.

“Eu cheguei a levar 400 litros de diesel e 200 de gasolina para a lancha”, disse Aluísio Alves em depoimento. Segundo ele, a quantidade de combustível desviado da prefeitura era determinada pela demanda da pousada e do uso da embarcação durante a temporada de pesca esportiva na região. “Entre setembro e início de novembro, chegaram a levar cerca de 2 mil litros de diesel e 800 litros de gasolina por mês nesse período”.
Mensalinho
O empresário Aluísio Alves também delatou o esquema de “mensalinho do castanho”, onde as propinas pagas ao ex-prefeito pelas empreiteiras eram destinados aos vereadores da Câmara Municipal do Careiro Castanho.

“A despesa era de R$ 135 mil, sendo R$ 10 mil para os vereadores, R$ 20 mil para o presidente da Câmara e R$ 15 mil para o líder (do prefeito no parlamento), diz a delação.
Essas revelações feitas por Aluísio Alves foram encaminhadas ao Ministério Público Estadual (MPE) no município e resultaram na conversão da prisão preventiva do empresário em liberdade assistida.
A reportagem não conseguiu ouvir as pessoas citadas acima.
Amazonianarede-Emtempo