Em ranking liderado por Japão e Suíça, Brasil é o 4º mais intervencionista

Amazonianarede com Estadão Conteúdo

O Brasil deixou de ser um dos países mais ativos na proteção de sua moeda. Segundo o Ranking da Guerra Cambial, produzido pela equipe de pesquisa global do banco britânico HSBC, Japão e Suíça dividem o título de mais ativos na defesa de suas moedas. O Brasil ocupa a quarta posição no levantamento que compara 36 moedas e a ação desses países no mercado. No ano passado, o Brasil era mais intervencionista e estava em segundo lugar, atrás apenas da Suíça.

No estudo, economistas do HSBC compararam o comportamento de 35 países e também da União Europeia nos últimos 12 meses. Levaram em conta desde aspectos subjetivos, como os discursos e a retórica dos líderes econômicos, até itens comparáveis, como taxa de juro, volume de intervenções diretas, medidas regulamentares e programas de relaxamento quantitativo.

Feita a comparação, o Brasil recebeu sete pontos em uma escala que varia de zero – o menos intervencionista – até dez – o mais ativo possível. Além de medidas tradicionais de política monetária como corte de juros, o estudo diz que “a regulamentação tornou-se a tática adicional favorita dos emergentes”. O HSBC dá como exemplos a mudança de alíquotas de impostos ou novas regras para o mercado. “O Brasil é um exemplo notável disso, onde novas alíquotas passaram a ser cobradas em operações financeiras que estavam pressionando o real.”

Outro fator que explica o Brasil menos ativo é o custo dessa intervenção. “Uma moeda mais fraca pode aumentar a inflação. O Brasil usou sua moeda para estimular o crescimento, mas recentemente reconheceu que o impacto negativo disso é ter mais inflação”, diz o relatório. Diante desse custo para a economia, o HSBC prevê que o governo brasileiro passará a agir de maneira “mais suave”.

Com sete pontos, o Brasil divide o 4.º lugar no ranking com o Peru e Taiwan. À frente estão Colômbia, Venezuela e Turquia, com oito pontos, e Argentina, com nove pontos, além dos líderes Japão e Suíça, que têm a pontuação máxima.

Atrás do Brasil no ranking estão todos os outros grandes emergentes e também as economias maduras: os Estados Unidos têm seis pontos, China e Reino Unido têm quatro pontos, Rússia e Chile fizeram três pontos e a Índia tem apenas um ponto. Na lanterna, Canadá, México e África do Sul têm zero ponto e recebem o título de menos intervencionistas no mercado cambial.

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