Em depoimento na Câmara, Del Nero diz que não renuncia a CBF

Del Nero garantiu a deputados que não renunciará a CBF
Del Nero garantiu a deputados que não renunciará a CBF
Del Nero garantiu a deputados que não renunciará a CBF

Brasilia – Ao longo das mais de cinco horas de depoimento do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero, os deputados se dividiram entre os que elogiaram o atendimento dele ao convite para debater na Comissão do Esporte da Câmara e outros que pediram a renúncia do dirigente do futebol brasileiro, diante das denúncias de corrupção na Federação Internacional de Futebol (Fifa), que levaram à prisão sete dirigentes da entidade.

Na parte final do depoimento, os ânimos se exaltaram quando o deputado Altineu Côrtes (PR-RJ) voltou a defender a renúncia de Del Nero “por ele representar a continuidade de gestões que cometeram sérias irregularidades na CBF, como a de José Maria Marin, preso na Suíça, e de Ricardo Teixeira, alvo de denúncias”.

Também defenderam a renúncia de Del Nero os deputados Chico Alencar (Psol-RJ) e João Derly (PCdoB-RS), entre outros.

Em defesa do presidente da CBF, os deputados Marcelo Aro (PHS-MG) e José Rocha (PR-BA) ressaltaram que as investigações ainda estão em curso e que ninguém deve ser pré-julgado.

No início do depoimento, Marco Polo Del Nero afirmou que não vai renunciar e que cumprirá o seu mandato até o último dia, em abril de 2019.

Marco Polo Del Nero, admitiu aos deputados da Comissão do Esporte da Câmara que as denúncias envolvendo a Fifa são graves e atingem um “velho companheiro”, o ex-presidente da CBF, José Maria Marin. Mas ele disse que é necessário aguardar o fim das investigações que estão sendo conduzidas nos Estados Unidos.

José Maria Marin e outros seis dirigentes da Fifa foram detidos pela polícia suíça a pedido de autoridades norte-americanas. Os cartolas são investigados pela Justiça dos EUA em um suposto esquema de corrupção.

Del Nero disse que até agora não teve acesso a nenhum documento e que não pode pré-julgar uma pessoa sem o devido trâmite julgado. Afirmou também que já determinou a entrega imediata de documentos pedidos pelo Ministério Público Federal e Ministério da Justiça do Brasil.

Questionado pelo deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), que lembrou das manifestações do Movimento Bom Senso Futebol Clube pela sua renúncia da presidência da CBF, Del Nero afirmou que “só renuncia quem faz coisa errada”. Ele garantiu que vai cumprir o mandato “até o último dia”. Ele tomou posse em abril deste ano para um mandato de quatro anos, até 2019.

Fora da investigação

Marco Polo Del Nero também afirmou que não é investigado nas atuais denúncias que estão sendo apuradas pela Justiça norte-americana, envolvendo um suposto esquema de corrupção na Federação Internacional de Futebol (Fifa).

Ele voltou a afirmar que os contratos investigados não são da sua época como dirigente máximo da CBF, antes ele era vice-presidente, e acrescentou que, apesar de integrar o comitê da Fifa, jamais participou de negociações em torno da escolha de sedes de Copa do Mundo.

O dirigente da CBF se disse surpreso com as suspeitas levantadas em torno da escolha do Brasil como sede da Copa do ano passado, “já que o País era candidato único”.

Perguntado pelo deputado Alexandre Valle (PRP-RJ) se abriria mão espontaneamente dos seus sigilos bancário, telefônico e fiscal, Del Nero afirmou que “deve ser cumprida a Constituição”, ou seja, ele admite a quebra desses sigilos somente com determinação judicial.

Avanço do futebol

O presidente da CBF disse ainda que, no pouco mais de um mês que está à frente da entidade, tomou uma série de medidas para o “avanço e modernidade do futebol”.

Algumas ainda dependem de aprovação em assembleia, como a reforma do estatuto, que prevê no máximo uma reeleição para dirigentes da entidade, o que pode acabar com a possibilidade de dirigentes se perpetuarem no comando da CBF.

Há também medidas com foco em novos modelos de governança, prevenção à fraude e corrupção e projetos sociais.

Del Nero afirmou que essas providências não têm nenhuma relação direta com as recentes denúncias de corrupção na Federação Internacional de Futebol (Fifa). Segundo ele, tudo foi planejado no contexto do que ele chama de “nova CBF”.

Amazonianarede-Jornal do Brasil

 

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