Em Boa Vista, maternidade acomoda mães em poltronas instaladas no corredor

(Reportagem: Yana Lima)

As mães que precisaram se internar no Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth (HMINSN), nos últimos dias, têm enfrentado uma realidade no mínimo desconfortável.

Seja na sala de pré-parto ou na sala de pós-parto, por falta de leitos, as mulheres são acomodadas em cadeiras, muitas delas nos corredores do hospital. A maternidade é a única pública para atender a todos os municípios, áreas indígenas e até pacientes de países vizinhos.

O problema já começa na sala de pré-parto, onde as mães passam os últimos momentos de trabalho de parto até passarem pelo procedimento. Neste momento, onde geralmente as mães passam por dor intensa devido às contrações, nem sempre há leitos para todas e algumas têm de esperar em cadeiras.

Após o parto, o problema é ainda pior. A mãe de uma parturiente, que deu à luz no fim de semana, contou que passou cerca de duas horas no leito e, em seguida, foi direcionada para uma cadeira, no corredor, para dar lugar a outras pacientes. Segundo ela, as mães submetidas a parto cesáreo têm prioridade. “Tem algumas que ficam agoniadas para sair logo dos leitos ao verem as outras mães nas cadeiras”, disse.

Outro problema apontado por ela foi a demora para a alta das pacientes, o que faz com que elas tenham de esperar ainda mais tempo nas cadeiras. “Não sei se é pela quantidade de gente ou pela falta de médico, mas estão demorando a dar alta às mãezinhas que ficam esperando aqui nas cadeiras. Até os funcionários ficam sem saber o que fazer”, reclamou a acompanhante. Segundo ela, sua acompanhada tinha previsão de alta para a manhã de ontem, mas só no fim da tarde conseguiu ser liberada.

DEMANDA – A direção-geral do (HMINSN disse, em nota, que tem havido uma grande demanda de partos nos últimos dias. Atualmente, a maternidade possui 213 leitos em toda a sua estrutura. Segundo o setor de estatística da unidade, em setembro de 2013 foram realizados 733 partos na ala das Orquídeas. E, no mesmo período do ano passado, foram 710 partos na mesma ala.

Segundo a direção da unidade, a equipe se mobilizou e as pacientes estão sendo remanejadas, de forma que nenhuma fique sem acomodações. O hospital disse ainda que nenhuma paciente da unidade fica sem assistência, seja médica, de enfermagem ou de medicações. “A direção esclarece que se tratam de situações pontuais que acontecem devido ao aumento da demanda espontânea do Estado”, afirma o e-mail.

LEITOS – A Secretaria de Estado da Saúde disse que existem dois projetos de ampliação de leitos maternos em Roraima. O primeiro é a Casa das Gestantes, que integra o projeto Rede Cegonha, do governo Federal, e o segundo projeto, um bloco no Hospital de Clínicas, no bairro Pintolândia.

A Casa da Gestante está prevista para ser construída no Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth (HMINSN) e atenderá três demandas: as mães que estão de alta e aguardando o bebê sair da UTI; grávidas que ainda não entraram em procedimento de parto; e mães que ainda não estão seguras quanto aos cuidados com o bebê.

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