Demonstração de civismo e politização

Osny Araújo*

Os brasileiros, movidos pela sua juventude, meia idade e até idosos, deram ao mundo na semana que hoje estamos encerrando, uma grande demonstração de democracia, politização, nacionalismo, civismo, embora, o bonito e salutar movimento tenha tido algumas manchas por irresponsabilidade dos baderneiros, vândalos e radicais, que torcem sempre pelo o quanto pior melhor, diferente dos brasileiros manifestantes de fato e de direito, que lutam e sonham por um Brasil melhor e mais igualitário no futuro.

E tudo começou pela cidade de São Paulo que organizou pelas redes sociais uma manifestação de denominada Passe Livre, em protesto ao aumento das tarifas dos transportes públicos e logo se espalhou pelas capitais e muitas outras cidades brasileiras, com o povo saindo às ruas com esse espírito de brasilidade.

As manifestações que vivenciamos ao longo da semana, tirando os atos de vandalismo isoladas com a depredação de bens públicos e privados, o movimento, parece ter acordado o Brasil de um pesado sono e voltar ao encontro da realidade, com varias demandas reclamadas pela população nos mais diferentes setores, como: Saúde, educação, transporte, sistema viário, juros altos, segurança além do medo do retorno da inflação que ameaça a todos nós e tomara que seja apenas uma ameaça.

O movimento de agora, lembra-me dois outros importantes vivenciados por mim na história contemporânea brasileira, agora com a participação de filhos e filhas daqueles que num passado recente caminharam pelas ruas nos dois movimentos citados neste artigo.

O primeiro foi o movimento intitulado Direta Já, que nasceu em 1983 idealizado pelo PMDB no pequeno município pernambucano de Abreu Lima, depois uma grande manifestação em São Paulo e daí ganhou o Brasil e mais tarde, conquistamos o direito das eleições diretas, uma vez, que, até então o presidente da República ela eleito pelo voto indireto no Congresso Nacional e os governadores, escolhidos a dedo eram nomeados pelo presidente da República.

Mais tarde, já com a eleição direta, por forte influência da grande mídia nacional, o então “caçador de marajás”, o alagoano Fernando Collor de Mello, foi eleito e logo ao ser empossado fez uma série de asneiras, inclusive com o confisco de poupanças e depósitos dos brasileiros de todas as classes.

De um momento para outro, o povo, entidades como especialmente como OAB, CNBB, UNE, UBES e partidos como PT, PMDB, PCdo B, articularam um movimento batizado de Fora Collor, com a animação dos “Caras Pintadas” que nos anos de 93/94 ganhou as ruas do país e terminou com Collor fora do Governo antes de cumprir o seu tempo.

Claro que o movimento de agora não dá para ser fielmente comparado com os dois citados, que tinham visões diferentes e definidas, o que não ocorre no momento.

O primeiro, almejando o retorno das eleições diretas e o segundo, a queda de Collor que aconteceram, o último coberto por mim como editor político do centenário Jornal do Commercio chefe de telejornalismo da TV Baré, hoje TV Acritica.

No atual, que foi denominado de passe livre, em função das tarifas dos transportes públicos, do dia para a noite ganhou uma grande adesão e novas reivindicações e se transformou num grande movimento popular com um elenco de apelos que precisam e devem ser olhados com carinho pelo Governo nas três instâncias.

Pelas manifestações ocorridas nos quatros cantos do país, deu para verificar que a classe política brasileira, ou melhor, que os velhos políticos estão inteiramente desacreditados e isso ocorre pela falta de ética, de compromissos com o estado brasileiro, do império da corrupção, do mau emprego dos recursos púbicos, da grande desigualdade social que ainda existe no Brasil e outras coisas mais. Esses políticos, precisam se reciclar e pensar que só estão onde estão, em função do povo, através do voto popular, alias a maior arma da sociedade.

Creio do no momento ficaremos apenas com a redução nas tarifas dos transportes de massa, mas no futuro, algumas coisas boas acontecerão, pois entendo que os governantes foram sensibilizados.

Vamos esquecer os vândalos e radicais que promoveram depredações e arruaças nas cidades, lembrando que manifestante de boa índole e preocupado com o seu país, não esconde a cara debaixo de máscaras ou de um pano. Quem assim procede é radical, vagabundo, bandido e deveria ir para a cadeia. No mais, torço para que o clamor popular que eclodiu nas ruas possa ser ouvido. Viva o Brasil, viva a democracia brasileira. (Postagem simultânea nos sites: noticianahora, amazonianarede, tadeudesouza e blog Jornalismo Eclético).

*Osny Araújo é jornalista e analista político.
E-mail: [email protected][email protected]

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