Copom reduz Selic: taxa de 7,25% é menor da história

Brasília – O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anunciou, nesta quarta-feira (10), a décima redução na taxa básica de juros da economia, que passou de 7,5% para 7,25% ao ano, com corte de 0,25 ponto percentual. As expectativas do mercado estavam divididas, mas segundo o economista Alcides Leite, da Escola de Negócios Trevisan, a decisão foi positiva.

“Tínhamos este espaço, ainda dá para aproveitar esse momento de baixa inflacionária, ainda não há previsão de aumento nos preços. As commodities não devem subir, já que a crise lá fora prejudica a demanda, os alimentos também não devem ter elevação de valor, pois tivemos uma boa safra, então, vale aproveitar este momento para continuar na busca por uma taxa de juros mais perto da média mundial “, acredita.

Apesar das taxas de Juros Futuros negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fecharem em alta nesta quarta, a aposta deste mercado ainda era de uma variação de redução dos juros para esta reunião.

Segundo a nota divulgada pelo Copom, depois de se considerar o “balanço de riscos para a inflação, a recuperação da atividade doméstica e a complexidade que envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linear”.

Investimentos

Para Leite, a redução da Selic irá possibilitar o aumento nos investimentos públicos e privados, já que reduzirá os custos do governo com a dívida pública. “Este capital que estava pagando juros pode ser usado para investimentos no país, como em infra-estrutura, por exemplo. E também abre espaço para investimento privado, que ao invés de investir na dívida, põe o dinheiro na produção”, analisa.

O economista destacou as dificuldades que o Brasil enfrenta ao manter a Selic em patamares altos. “Nossa taxa era muito alta, ainda está elevada. A disparidade distorce toda a lógica micro e macro econômica, aumenta o custo da divida, da produção, inibe o crescimento e os investimento. Por isso temos que aproveitar essas oportunidades para reduzir o máximo, sempre que possível”, finalizou.

Poupança passa a render 0,4134% ao mês

Com a nova redução na taxa básica de juros, a remuneração dos depósitos em poupança que forem feitos ou renovados a partir desta quinta-feira será de 0,4134% ao mês, mais Taxa Referencial (TR, atualmente zerada).
Mesmo com a redução, a avaliação do vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, é de que o investimento na poupança ainda mantém a sua atratividade. “A caderneta de poupança tem seu ganho garantido por lei e não sofre qualquer tributação, diferentemente dos fundos de renda fixa que têm tributação do imposto de renda sobre seus rendimentos, sendo maior a tributação quanto menor for o prazo de seu resgate, além de ter a taxa de administração cobrada pelos bancos”, explicou.

CNI aprova decisão

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o corte “é fundamental para a retomada da atividade industrial” e coerente com uma política de recuperação econômica.

Tão logo soube da decisão do Copom, a CNI divulgou nota na qual considera a medida “positiva”, e diz que o Banco Central mostra que está atento ao momento de recuperação da atividade econômica no país, “em um ambiente global de fragilidade e de elevada liquidez”.

Presidente da ACSP também comemora decisão

O presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Rogério Amato, divulgou nota classificando como “consistente” a decisão do Copom desta quarta-feira. Segundo ele, “com o cenário externo de incertezas e com o, ainda, moderado nível da atividade doméstica, a decisão foi coerente com esta situação. Acreditamos que a economia possa crescer a taxas mais elevadas em 2013”,diz.

(Com Agência Brasil)

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