Copom mantém taxa Selic em 7,25% ao ano em decisão unânime

Agências nacionais

Brasília – Apesar de admitir que houve piora no “balanço de risco para a inflação” no curto prazo, o Banco Central manteve a taxa básica de juros em 7,25% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada nesta quarta-feira. Ao justificar a decisão, o BC afirmou que a recuperação da atividade doméstica é menos intensa do que o esperado e que o ambiente internacional continua “complexo”.

A instituição repetiu o discurso de que “estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta” continua sendo a manutenção dos juros nesse nível “por um período de tempo suficientemente prolongado”. A taxa básica está nesse patamar, o menor da história recente, desde outubro de 2012.

Ao falar da “convergência da inflação para a meta” de 4,5%, o BC retirou do comunicado uma expressão que havia sido utilizada nas reuniões do Copom de outubro e novembro, de que a queda do índice de preços se daria “de forma não linear”, ou seja, com momentos de alta e de baixa. Agora, disse apenas que sua estratégia visa garantir o recuo da inflação.

Unanimidade. A decisão desta quarta foi unânime e já era esperada por praticamente todo o mercado financeiro. A expectativa agora fica por conta da ata da reunião, documento que será divulgado na quinta-feira da próxima semana e que trará mais detalhes da avaliação que o BC faz sobre a economia neste momento.

O Copom volta a se reunir nos dias 5 e 6 de março, poucos dias depois da divulgação dos números do Produto Interno Bruto (PIB) para o último trimestre de 2012.

Na avaliação de vários economistas, o BC terá de administrar os juros em um cenário de inflação em patamares elevados, mas com baixo risco de estourar o limite da meta, e previsões de crescimento abaixo do esperado pelo governo.

Hoje, as projeções mostram expansão em torno de 1% para 2012 e pouco acima de 3% na média do período 2013-2015. O espaço para estimular a economia por meio de mudanças nos juros, no entanto, continua limitado. O próprio BC calcula que a inflação deverá ficar acima do centro da meta neste e no próximo ano.

A avaliação anterior do BC sobre a inflação era a de que, no curto prazo, ou seja, nos próximos meses, os índices de preços mostrariam resistência, mas devem cair ao longo de 2013. Essa afirmação contribuiu para que a maioria dos analistas avaliasse que não está nos planos do governo novo aumento dos juros neste ano.

Segundo levantamento do serviço AE Projeções, da Agência Estado, feito antes da reunião de ontem, apenas 14 analistas, entre 79 consultados, esperam alta de juros neste ano. Entre eles, Bradesco Corretora, BNP Paribas e Votorantim Corretora. Outras 10 instituições e consultorias avaliam que a taxa básica deve cair em algum momento em 2013. Entre elas, estão bancos como Santander e Itaú Unibanco, que têm uma projeção de 6,25% para o fim deste ano.

Para o economista-chefe da LCA, Bráulio Borges, a alta de juros só deve começar em 2014. “Já temos muitos estímulos monetários, não só a redução de juros, mas também o compulsório, com injeção de R$ 100 bilhões na economia. E o crédito está voltando a alavancar o crescimento”, afirmou.

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