Comissão indígena entrega relatório sobre abandono de Frente no Igarapé Xinane

Rio Branco – Lideranças indígenas entregaram, na manhã de ontem, um relatório ao Ministério Público Federal (MPF). O documento foi realizado pela equipe do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Ele mostra a situação da Frente de Proteção Etnoambiental, no Igarapé Xinane, dos índios que vivem no Alto Envira, e da realidade dos índios ‘isolados’, que estão saqueando outros indígenas e ribeirinhos da região.

De acordo com Lindomar Dias Padilha, coordenador do Cimi, a Frente de Proteção está totalmente abandonada há 2 anos. “No relatório existem razões para que seja instaurado um processo de investigação para saber as causas do abandono. Inclusive, tem recursos públicos investidos ali. Acredito que o MPF deve solicitar uma explicação por parte da Funai, em razão do grande número de munição. Cerca de 400 cartuchos estão no local.

É preciso explicar porque em um lugar de proteção há tanto armamento”.

Até o momento, nenhuma explicação foi dada e as causas do abandono do local são desconhecidas. “Queremos uma resposta. Não sabemos porque a frente foi desativada e porque todo o material foi depredado. Se fosse uma retirada por questão estratégica, os materiais deveriam ser retirados também. Há vários documentos oficiais jogados no mato. A Funai precisa se explicar e dizer por qual motivo os recursos não chegaram na frente para mantê-la”.

Na ocasião, as lideranças homenagearam o procurador da República, Paulo Henrique Ferreira, que sempre esteve à frente das causas indígenas. O procurador será transferido para outra cidade. “Recebemos alguns documentos das lideranças. Vamos analisar e dar continuidade na apuração e na atuação do MPF na causa indígena. O período que estive aqui atuei por esta causa. Foram muitos desafios, em especial a luta na Casai, relacionada à saúde indígena. Tratamos, também, a questão da demarcação de terras indígenas”.

O líder indígena Ninawá Huni Kui falou sobre a manifestação realizada na Câmara dos Deputados, na última semana. “Realizamos uma mobilização em Brasília, com mais de 100 povos de todos os estados. O nosso objetivo foi barrar a PEC 215, que tira do Poder Executivo a responsabilidade da demarcação dos territórios indígenas do país, passando tal função para o Legislativo. Tivemos uma conversa com o presidente da Câmara dos Deputados, mas ele não colocou nenhum compromisso. Foi preciso tomar uma atitude radical. Foi criada uma sala que irá debater a PEC, na intenção de mostrar aos ruralistas a importância dos territórios indígenas para as comunidades, bem como debater outros projetos. Dez parlamentares e dez lideranças indígenas irão acompanhar a comissão”.

Fonte – A Gazeta do Acre

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