Com dólar em alta, brasileiros correm para comprar imóveis em Nova York

Mesmo com a alta do dólar, o brasileiro continua gastando no exterior. Somente no mês de maio, os gastos somaram USD 2,232 bilhões, um aumento de 22%, em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados do Banco Central.

No ramo imobiliário, também não é diferente. A compra de imóveis fora do Brasil continua forte. “O brasileiro sempre teve, culturalmente, uma tendência de tirar cerca de 20% do seu patrimônio e dolarizar isso. Somado à isso, os imóveis são uma boa opção para quem deseja ter uma fonte de renda extra ou mesmo para uso próprio ou lazer”, explica Fernando Bergallo, gerente de câmbio da TOV Corretora.

Nos últimos dois anos, Miami tem sido a primeira opção do brasileiro por vários motivos: é um voo relativamente rápido, a cidade possui vários brasileiros (o que facilita a comunicação para quem não tem o domínio da língua inglesa), além do clima “praiano” que também favorece e agrada. Isso foi somado aos preços baixos atingidos depois da crise de 2008, em que imóveis das regiões nobres da cidade foram negociados por abaixo de US$ 2 mil m², e mais o dólar abaixo de R$1,80, causando uma explosão nas vendas.

Nos últimos seis meses, no entanto, o cenário mudou. Lançamentos “pé na areia” na cidade de Miami hoje não saem por menos de US$ 2 milhões, e o dólar acima de R$ 2,20 acabou por mudar um pouco o perfil do comprador de imóveis no exterior. “As compras, portanto, continuam aquecidas, mesmo com o dólar alto, conforme indica nosso movimento de fechamento de câmbio apurado aqui no dia-a-dia da corretora nos últimos 3 meses (Abril, Maio e Junho até agora)”, relata Bergallo.

Mesmo com o dólar tendo subido quase 15% neste período, o volume de fechamento de câmbio com esta finalidade se mantém crescente. Ocorre apenas um movimento interessante de mudança de perfil: o “ticket” médio da compra, que era de US$ 350 mil, passou para US$ 800 mil, e a cidade de Nova Iorque passa a ser destino das remessas financeiras de brasileiros – não apenas Miami.

“A procura por Nova York cresceu muito porque a cidade também sempre esteve na cabeça do brasileiro que deseja ter um apartamento nos Estados Unidos”, reforça. Leo Ickowicz, proprietário da imobiliária Elite International Realty (que atua em Miami e Nova Iorque, e é parceiro da TOV Corretora), aponta que o brasileiro faz a aquisição pela valorização do dólar e por não existirem mais áreas onde Manhattan possa crescer (diferente de Miami, que ainda possuiu muitos terrenos), o que tende a fazer com que o preço do imóvel continue valorizando.

Em 2012, foram vendidos, no total, 10.508 imóveis em Nova York, sendo que 179 deles foram comprados por brasileiros. Em 2011, esse número era de 10.161 imóveis comercializados, sendo 147 deles para investidores do Brasil.

Ickowicz diz que o brasileiro consegue uma boa renda adquirindo um imóvel comercial com contrato de aluguel já fechado, o que é muito comum em Nova Iorque. “O investimento é feito em imóveis que já possuem contrato de aluguel assinado por 20 anos. Em média, esse contrato de aluguel dá o rendimento de 7% ao ano (um imóvel de US$ 1 milhão rende US$ 70 mil ao ano), além de valorizar 5% no mesmo período”, explica. Ele afirma que, com este lucro, o brasileiro consegue pagar viagens, alimentação e gastos da manutenção de seu imóvel residencial. De acordo com ele, os brasileiros com casa em território americano viajam atualmente de quatro a cinco vezes por ano aos EUA.

Jorge Maia, cliente da TOV Corretora, diz que atualmente é mais vantajoso comprar um imóvel nos Estados Unidos do que no Brasil. “Acredito que a tendência é de que o valor dos imóveis no Brasil caia nos próximos anos, já que o valor está próximo do teto. Lá ainda existe essa tendência de alta no valor por conta da queda de preços no início da crise financeira mundial”, explica. Além disso, comprar o imóvel nos EUA é manter sua poupança de dólares valorizada – e por este motivo ele, que já comprou um imóvel em Miami em 2012, esta agora planejando a compra do segundo apartamento também por lá.

(JB)

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