Catadoras garantem participação na III Conferência Municipal do Meio Ambiente

Manaus – As catadoras ligadas à Associação Reciclar da Vida, situada no Parque Riachuelo 2, Tarumã, garantiram a participação na III Conferência Municipal do Meio Ambiente (CMMA), depois de receber, na tarde desta quarta-feira, 15, a visita de técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas).

A equipe foi até a sede da entidade com o intuito de mobilizar os integrantes do segmento a participarem das discussões do evento, que vai definir propostas de ações estratégicas para quatro eixos temáticos, entre os quais Geração de Emprego, Trabalho e Renda, diretamente ligado à realidade dos catadores. Outra abordagem é facilitar o acesso dos trabalhadores às inscrições da conferência, tendo em vista o fato de o procedimento ser realizado pela Internet (no sitewww.semmas.manaus.am.gov.br ) e muitos dos catadores não terem acesso à Rede.

A Reciclar da Vida, no Parque Riachuelo, foi o primeiro dos nove grupos que integram o Comitê Regional Manaus de Catadores de Materiais Recicláveis a ser visitado pela Semmas, dentro da ação de mobilização do segmento que está sendo realizada por determinação da secretária municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Kátia Schweickardt.

As inscrições à III CMMA tiveram início no dia 1 de maio e até o evento a intenção é atingir o maior numero possível de representantes do segmento. “Os catadores têm um papel especial na cadeia produtiva da transformação de resíduos sólidos e este será um dos principais temas a serem debatidos pelo grupo de trabalho do terceiro eixo temático da conferência. Quanto mais representantes tiverem melhor”, explica a secretária.

A técnica da comissão executiva da III CMMA, Kelly Souza, responsável pelas visitas de mobilização, esclareceu às catadoras a importância da conferência. Questões como a logística de transporte, insumos, escoamento da produção, segurança nos galpões, reaproveitamento de resíduos e o papel dos catadores no contexto do Plano Nacional de Resíduos Sólidos podem fazer parte das discussões. Kelly foi recebida pelas seis catadoras que reconheceram a importância do evento. “Hoje, dividimos o tempo entre as tarefas de triagem, beneficiamento e reciclagem, trabalhando com todos os tipos de resíduos que recebemos de empresas, bancos e órgãos públicos, mas enfrentamos dificuldades que podem ser melhoradas”, explicou a presidente da Associação Reciclar da Vida, Eliete Alves do Nascimento, 37.

Kelly lembrou que a conferência dará vez e voz ao segmento, além de culminar com a eleição de representantes que atuarão como delegados nas conferências estadual e nacional e terão como missão defender os interesses da categoria. Haverá também oportunidade de expor no estande montado durante a conferência na Ufam os trabalhos de artesanato feitos na associação a partir do reaproveitamento de resíduos sólidos. Lá são confeccionadas bolsas e sacolas a partir de malotes de banco, banners e faixas de lona vinílica, entre outros materiais.

Eliete Alves frisou que a principal dificuldade vivenciada hoje pela entidade é o transporte tanto para buscar quanto levar material. Algumas empresas ainda insistem em não se responsabilizar pelo serviço, obrigando as catadoras a custearem o frete para transportar o material reciclável. Segundo a catadora, os gastos do frete consomem mais da metade do que a associação arrecada. “A conferência poderá ser uma oportunidade para discutir essa questão do transporte com o empresariado”, sugeriu a catadora.

A associação trabalha com plástico, garrafa pet, papelão, embalagens, papel, lona vinílica, malotes de banco, entre outros materiais. O galpão, ainda em construção, é mantido com o que as mulheres arrecadam e foi conseguido com apoio da ONG Nymuendaju, que doou o terreno. O prédio foi erguido por meio de financiamento do BNDES. A renda média atual das catadoras da associação é de um salário mínimo por mês.

(Semcom) 

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