
A tentativa de esconder um boné e um moletom foi o que ajuou a identificar o suspeito
Santa Catarina – Um adolescente suspeito de agredir o cachorro comunitário Orelha vai responder por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos. A Polícia Civil pediu a internação provisória do menor. A tentativa de esconder um boné rosa e um moletom foi um dos pontos centrais que ajudaram a identificar o autor do crime, em Florianópolis. O inquérito foi concluído na terça-feira (3).
O ataque ao cão Orelha ocorreu na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30, na Praia Brava, no Norte da Ilha. O animal sofreu uma pancada contudente na cabeça, segundo os laudos da Polícia Científica.
O cachorro ainda chegou a ser socorrido por moradores, levado a uma clínica veterinária, mas não resistiu.
Segundo a PCSC, o adolescente foi interceptado no aeroporto ao retornar de uma viagem internacional na Disney. Um familiar ainda tentou escoder o boné do menor no momento da abordagem dos policiais.
A investigação sobre a morte do cão Orelha e os maus-tratos contra o cão Caramelo foi conduzida por uma força-tarefa que envolveu a Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (Deacle) e a Delegacia de Proteção Animal (DPA).
O delegado Renan Balbino explicou o desenrolar dos fatos e investigação no caso do cão Orelha.
“O desenrolar dos fatos começou às 5h25 da manhã, quando o adolescente saiu do condomínio na Praia Brava. Às 5h58 da manhã, ele retornou para o condomínio com uma amiga feminina. Esse foi um dos pontos de contradição em seu depoimento. O adolescente não sabia que a Polícia possuía as imagens dele saindo do local e disse que havia ficado dentro do condomínio, na piscina. Além das imagens, testemunhas e outras provas também comprovaram que ele estava fora do condomínio”.
Por conta que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê sigilo absoluto nos procedimentos envolvendo pessoas abaixo de 18 anos, os nomes, idades e localização dos suspeitos não foram divulgados pela investigação.
Confira abaixo a nota completa da defesa do adolescente.
Os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais do jovem indevidamente associado ao caso do cão Orelha, alertam que informações que vieram a público dizem respeito a elementos meramente circunstanciais, que não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas.
A defesa atua de forma técnica e responsável, orientada pela busca da verdade real e pela demonstração da inocência, e protesta contra o fato de, até o momento, ainda não ter tido acesso integral aos autos do inquérito.
Destacamos que a politização do caso e a necessidade de apontar culpado a qualquer preço inflamam a opinião pública a partir de investigações frágeis e inconsistentes que prejudicam a verdade, infringem de forma gravíssima os ritos legais e atingem violentamente e de forma irreparável pessoas inocentes.
Manifestação
A morte do cachorro Orelha provocou comoção entre os brasileiros e será motivo de uma manifestação na Orla da Praia da Ponta Negra em Manaus, no domingo (1), às 9h. O ponto de encontro foi em frente a Feirinha do Empreendedor, próximo da Orla 92.
O ato pediu Justiça pelo animal e foi convocada pelo vereador Amauri Gomes (UB) e o ex-deputado federal Delegado Pablo.
“Essa manifestação é um pedido de Justiça pela morte do Orelha. Sabemos que neste país a impunidade muitas vezes prevalece, por isso vamos às ruas para dizer basta. Vamos mostrar nossa indignação contra todos que, de alguma forma permitem que crimes de maus-tratos aos animais fiquem impunes”, disse o protetor da causa animal, Amauri Gomes.
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Da Redação Portal d24am



