Arrependimento

02-01osmyOsny Araújo*

Ontem sai de casa cedo para levar a minha cunhada até o hospital Adriano Jorge, no bairro da Cachoeirinha, onde encontrei centenas de pessoas em busca de tratamento de saúde e como estava aguardando a paciente-carona, aproveitei para ouvir coversas e lamúrias de brasileiros, das classes B, C e D que aguardavam atendimento.

Sentando em um banco à sombra de uma frondosa árvore, quatro amigos conversavam sobre política, especialmente sobre o recente “pacotão econômico” do governo petista anunciado pelo Planalto, no momento em que a presidente Dilma ainda completou um mês deste seu segundo mandato e a população, não se mostra nada satisfeita.

Mesmo sem um amplo conhecimento sobre economia, os quatro amigos, abordavam o assunto com certa propriedade, preocupados com o futuro, especialmente com salários baixos, a desenfreada corrupção, tendo como base o que ocorre com a Petrobras e o excessivo gasto do Governo com coisas desnecessárias em detrimento a coisas importantes que não procura realizar, como melhorar, por exemplo, a saúde e a educação, saneamento, energia elétrica, abastecimento de água e nesse caminho a conversa prosseguia.

De um momento para outro, a reunião dos quatro amigos, se transformou num mini- debate, embaixo da árvore e o assunto continuava o mesmo economia e o “Pacotão Econômico da Dilma”, com os “debatedores” para tentar consertar de forma duvidoso o que ele comandou a destruição, ou seja, a estabilidade da economia e o crescimento do país.

Nesse papo, surgiu o reajuste da passagem de ônibus em Manaus, que desde 2011 era R$ 2,75 e passou desde domingo para 3, OO. Nesse particular o prefeito de Manaus Arthur Neto foi literalmente absolvido, considerando que os empresários precisam ganhar alguma coisa, pois que além dos empregados que precisam receber salários, o Governo federal aumentou impostos e combustíveis, juros e as empresas precisam se adequar para evitar falências.

Alguém falou do veto presidencial na Tabela do Imposto de Renda, considerando que com isso amplia o leque de brasileiros que serão engolidos pelo leão e foi aí que ouvi um brado. “Não sei vocês, mas estou muito arrependido de ter votado nessa mulher. Maldita hora”- alguém que participava do papo.

Na verdade, os amigos, mesmo sem cultura econômica, mas, que como trabalhadores e chefes de família, sabem que o cinto vai apertar e muito e como sempre, quem pagará o pato serão os mais fracos, no caso, a maioria do povo brasileiro, essa mesma maioria que reelegeu Dilma e que agora, arrependidos começa a reclamar.

Mesmo sem ser economista, vejo o “pacotão” com reserva e, arrisco dizer, que mesmo sendo um pleito do mercado financeiro, parece que o “pacote” não detalha com clareza sobre como ajustar as contas do Governo. Isso preocupa os brasileiros, na sua maioria. A medida do Governo parece ortodoxa de curto prazo e isso é preocupante.

De cara o “pacotão” do Governo do PT, altera para pior as regras do segurado desemprego, seguro defesa do pescador, aumenta impostos e juros e tudo para arrecadar mais alguns bilhões e com isso melhorar as reservas do Tesouro e diminuir a carreira da inflação que começa a assustar.

Entendo que do jeito que as coisas estavam não poderia continuar e que o Governo deveria tomar algumas providências para equilibrar a economia nacional, medida que deveria ter sido tomada com calma e prudência, mas parece que o remédio receitado pelo Governo será muito amargo e talvez não surta o efeito desejado.

Nunca é tarde lembrar, que durante a campanha política, a presidente Dilma, assegurava que o Brasil estava bem, que o país continuava crescendo, que a inflação estava sob controle, que o Brasil continuava com crescimento positivo etc e tal. Agora chegamos à conclusão que tudo o que foi dito na época de campanha, não passou de falácia por meio de discursos eleitoreiros.

O “pacote” anunciado anunciada, demonstram claramente, que o Governo está abandonando a agenda de incentivo a competitividade das empresas, como por exemplo, as desonerações tributárias, buscando outros perigosos e tortuosos caminhos para tentar diminuir os estragos com os erros cometidos. E o povo que se dane.

*Osny Araújo é jornalista e analista político.
E-mail: [email protected][email protected]

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