AP: Preso, acusado de matar agente penitenciário, administra rede social

Macapá – Wagner João de Oliveira Melônio foi condenado pelo crime de tráfico de drogas e é acusado da morte de um servidor do Iapen.

Preso há mais de ano no Instituto de Administração Penitenciário do Amapá (Iapen), Wagner João de Oliveira Melônio, de 36 anos, condenado por tráfico de drogas e um dos acusados da morte de um agente penitenciário, continua usando a conta de uma rede social, inclusive posta fotos no interior da cela, onde convive com outro detento.

O diretor do Iapen, Nixon Kennedy, afirmou ao Jornal A Gazeta que revistas nas celas são frequentes e o aparelho celular usado na postagem – datada de fevereiro deste ano- foi apreendido. Porém, outras publicações ocorreram após essa, a mais recente sendo de maio deste ano, a pouco mais de um mês atrás. Após questionamentos sobre a situação, o diretor declarou que hoje (09) pela manhã haveria uma nova inspeção na penitenciária.

Testemunhas afirmam que a fragilidade pode estar na entrada e saída de agentes da penitenciária, pois não ocorrem revistas pessoais e o aparelho de raio-X, que detectava materiais impróprios e objetos de metais, não funciona há tempos. Esta realidade facilita a corrupção dos funcionários e a ação criminosa vinda de dentro da prisão.

Artimanhas

No fim do mês de março, Melônio tentou fugir do Iapen pela porta frente, se camuflando com uniforme de agente penitenciário. O “espertinho” foi surpreendido após suspeita. As vestes foram fornecidas supostamente por uma agente, que ainda está sendo investigado.

Em julho do ano passado, na casa de Melônio, localizada na Rua Palmas, a Operação Infraero, batizada por se tratar de tráfico de drogas nos bairros Infraero I e II, a Polícia Civil em parceria com a Militar, encontrou R$ 16 mil e diversos aparelhos eletrônicos, entre tablets e celulares, além de jóias, chips e relógios de grife, produtos resultado da comercialização de entorpecentes. No período da apreensão, Melônio já estava preso, o traficante é acusado de comandar o esquema através da comunicação via celular, comprovada pelas postagens nas redes sociais.

Objetos proibidos

A justificativa do diretor Nixon Kennedy sobre o acesso de aparelhos do detendo, seria o “alto poder aquisitivo” que possui, conseguindo atrair serviços indevidos de agentes penitenciários em troca de dinheiro. Método que teria sido usado para adquirir o uniforme da instituição na tentativa da última fuga.

O uso de aparelhos celulares não é uma regalia só de Melônio, outros internos tem esse acesso dentro da penitenciária para ligações e navegadas na internet. Fiscalização ineficaz e negligência são evidências da falta de segurança da casa prisional.

A morte do agente Clodoaldo

Wagner João de Oliveira Melônio é acusado pela morte do agente penitenciário, Clodoaldo Pantoja Brito, de 39 anos, em 11 de junho do ano passado. Para o homicídio, o traficante teria a ajuda de outros dois detentos, Wesley Alves da Silva, de 19 anos, e Luis Carlos Silva Teixeira, 34, que ainda está foragido.

A vítima recebeu 16 tiros, 11 atingiram as costas, depois deixar o plantão no Iapen, momento quando retornava para a casa, onde morava. Uma das armas utilizadas no crime foi encontrada na casa do traficante. O motivo do assassinato ainda é desconhecido para a polícia.

Após um ano de morte de Brito, familiares e amigos realizaram uma caminhada em Macapá para pedir esclarecimento da justiça e a condenação dos envolvidos, pois até hoje os acusados ainda não foram julgados.

Para os conhecidos, o maior medo seja que o caso caia no esquecimento.

(A Gazeta AP) 

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