Amazonas Alfabetizado forma 10 mil e anuncia vaga para 26 mil jovens e adultos aprenderem a ler e escrever

Manaus – O programa Amazonas Alfabetizado, do Governo do Amazonas, acaba de proporcionar a 10 mil pessoas a oportunidade de ler e escrever.

Na tarde de sábado, 29 de março, o vice-governador José Melo participou da formatura de pelo menos 800 alunos das turmas da capital, em evento no Clube do Trabalhador do Sesi, no Aleixo, zona leste. Os outros diplomados são de 28 municípios que receberam seus certificados nas cidades onde foram alfabetizados.

Na ocasião, José Melo anunciou a ampliação do Amazonas Alfabetizado para mais 26 mil pessoas em 33 municípios, em nova etapa que já está sendo preparada pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc), coordenadora do programa, realizado em parceria com o Ministério da Educação. “É uma enorme alegria, minha e do governador Omar Aziz, da Secretaria de Educação e de todo o nosso governo poder proporcionar a todos eles essa oportunidade ímpar. Como ser cidadão se eu vivo ainda na treva da escuridão, de não saber ler nem escrever?”, disse Melo, ao lembrar que foi alfabetizado aos 12 anos de idade.

A história de José Melo se confunde com a de grande parte dos participantes do Amazonas Alfabetizado, que trabalharam desde criança na roça ou em outras atividades para ajudar no sustento da família e não tiveram oportunidade de ir à escola no tempo certo. É o caso da aposentada Francisca da Costa Araújo, 75 anos. Nascida no interior do Ceará, ela conta que, por ter que trabalhar no roçado com os pais e pelo fato da escola ser longe, não foi alfabetizada.

“Depois me casei, tive meus filhos e tinha que cuidar da educação deles. Nunca tive tempo de ir para a escola”, conta Francisca que agora sabe assinar o nome e ler o essencial para ela. “Antes não sabia sequer pegar um ônibus sozinha. Até a assinatura dos documentos era no dedinho (impressão digital). Era constrangedor ter na identidade que você é analfabeto”.

Para o orador da turma, José Garcia, 76, nunca é tarde para aprender a ler e escrever. Ele se disse orgulhoso de poder ler o texto preparado para a ocasião da formatura e poder fazê-lo ao lado da esposa Maria Barbosa, 74, que também foi alfabetizada na mesma turma. “Nunca é tarde para aprender. Meu orgulho é saber que meus quatro filhos estão formados hoje”, disse José Garcia.

O vice-governador José Melo disse concordar que a idade não pode ser um entrave para o aprendizado. “Vivemos no mundo da informação, onde você consegue transmitir um fato para o mundo todo em fração de segundos e não se pode condenar determinadas pessoas à ignorância de não saber sequer assinar seu nome. Nosso governo, pensando nisso, resolveu dar oportunidade para que essas pessoas, que não tiveram, no tempo certo, a chance de ler e escrever, pudesse tê-la em qualquer tempo. A nossa vida é um eterno aprender. Agora, como aprender se não se sabe sequer ler e escrever?”.

Como funciona – O programa oferece alfabetização para pessoas com idade superior a 15 anos que não tiveram a oportunidade de se dedicar aos estudos na idade convencional. Coordenado pela Seduc, o programa dedicado a jovens, adultos e idosos está interligado ao programa nacional Brasil Alfabetizado, do Governo Federal.

“O objetivo do programa é, no mínimo, ler e escrever o nome para que não tenha que ter na Carteira de Identidade escrito analfabeto e a assinatura com impressão digital, mas eles costumam ir mais longe”, disse o secretário Estadual de Educação, Rossieli Silva. Com aulas aos sábados e professores previamente capacitados, o programa oferece gratuitamente materiais didáticos, fardamento e alimentação, além da estrutura necessária para as atividades pedagógicas a todos os alunos matriculados.

Na nova etapa, que vai alcançar 26 mil pessoas, o programa atenderá 33 municípios. As aulas iniciam em abril nos municípios de Anamã, Anori, Apuí, Atalaia do Norte, Autazes, Barcelos, Caapiranga, Carauari, Codajás, Eirunepé, Envira, Fonte Boa, Guajará, Humaitá, Ipixuna, Itamarati, Juruá, Jutaí, Lábrea, Manaus, Maraã, Maués, Nhamundá, Pauini, Santa Isabel do Rio Negro, Santo Antônio do Içá, São Gabriel da Cachoeira, São Paulo de Olivença, São Sebastião do Uatumã, Tefé, Tonantins, Uarini e Urucará.

Foto: Alfredo Fernandes / Agecom

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