Agronegócios: Reflexões sobre o XII Seminário da FAEA (1)

Thomaz Meirelles
Thomaz Meirelles*

Nos dias 16 e 17 deste mês, atendendo convite do presidente do Sistema Faea/Senar, Muni Lourenço, participei da abertura do Seminário e ainda tive a oportunidade de acompanhar algumas palestras, entre elas, a do cultivo de seringueiras, do novo código florestal, da emissão do CAR (Casdastro Ambiental Rural) e do programa estadual Amazonas Rural. Antes de fazer alguns breves comentários sobre o que vi e ouvi nos dois dias, desejo registrar a grande satisfação em participar de eventos nas dependências da federação e agradecer a forma sempre amiga e fraterna como sou tratado por toda equipe daquela importante e conceituada casa do trabalhador rural. Foi assim no tempo do Eurípedes Lins e continua na gestão do amigo e irmão Muni Lourenço.

Afinal de contas, levado pelas mãos do meu pai, Ubaldino Merielles, foi por lá que comecei a caminhada em defesa do produtor rural, extrativista e pescador artesanal do Amazonas. Na abertura, o Vizolli, presidente do IDAM, registrou o distanciamento do setor primário do poder político local e a necessidade de mudar esse relacionamento em benefício do Amazonas.

Concordo plenamente com o pensamento do Vizolli, mas nas poucas experiências que presenciei dessa aproximação (setor rural x governo) percebi um certo medo de atores importantes do nosso setor agropecuário em expor o que pensam ao poder político priorizando o silêncio ou simplesmente sacudindo a cabeça concordando com tudo, ou quase tudo, que a autoridade superior está defendendo, que nem sempre, penso eu, é a melhor opção para o Estado.

Embora tenha defendido a ideia de que o novo programa governamental deveria se chamar “Zona Franca Verde II” uma vez que o ZFV também nasceu com o total apoio e participação do governador Omar Aziz, naquela altura vice-governador, o “Amazonas Rural” é recheado de bons programas e nobres objetivos, mas não acredito que a atual estrutura do Sistema Sepror, mesmo com parcerias, seja capaz de dar conta de tudo.

Continuamos atirando para todos os lados, ou seja, sem contar com as indispensáveis orientações do ZEE (Estado), do ZARC (Zoneamento de Risco Climático/Federal) e de amplos debates no CEDRS. Prova disso, é a recente nota divulgada no site do MAPA de que 24 (vinte e quatro) estados tiveram a publicação do ZARC da cultura do abacaxi no Diário Oficial da União e a triste e inaceitável constatação de que o Amazonas não fez parte dessa relação.

Contudo, fiquei satisfeito ao ouvir do secretário Eron Bezerra a afirmativa de que o IDAM vai contratar mais gente; que nova parceria tá sendo formalizada para contar com apoio de técnicos agrícolas; que a autossuficiência em alimentos básicos está nos planos; e que a soberania e a segurança alimentar dos amazonenses estão entre as prioridades do Amazonas Rural.

Também reconheço outros avanços proporcionados pela atual gestão da Sepror com maior ênfase na implementação da legislação que envolve o setor rural, da parceria com o MDS viabilizando o PAA/Estadual, na transformação da Codesav em Agência, no apoio à comercialização direta do produtor com o consumidor, na recuperação de vicinais, entre outras conquistas.

Cultivo de milho no AM. É possível?
No momento dos questionamentos, o secretário de Pesca, Geraldo Bernardino, demonstrou preocupação com o preço da ração que pode inviabilizar o crescimento da piscicultura no Amazonas. Isso é fato, concordo plenamente com o Geraldão, e o milho é insumo basico nesse aspecto. No auditório da Faea e também na imprensa o secretário Eron disse que é impossível produzir milho no Amazonas para uso na avicultura, suinocultura e, logicamente, para a piscicultura em função da baixa remuneração da atividade.

Com todo respeito que tenho ao secretário e sua equipe, onde mantenho ótimo relacionamento, entendo que não podemos seguir esse caminho, pois em determinadas áreas do nosso estado, e o IDAM sabe disso, temos condições de produzir esse grão que talvez seja um dos mais importante do mundo (alimentação humana, ração, combustível etc). Se os produtores de milho de outros estados estão com a conta bancária recheada entendo que é possível tornar o cultivo do milho também viável por aqui, desde que sigamos as orientações do ZEE e do ZARC.Depender exclusivamente da produção de milho de outros estados é correr um alto risco.

Quem viveu 2002/2003 sabe exatamente o que estou dizendo, e não vou longe, atualmente a Associação Amazonese de Avicultura vem travando batalhas incansáveis para garantir que o governo federal garanta a remoção de milho de regiões produtoras para estados sem tradição na cultura. Enquanto tiver estoque público a pressão resolve e o milho chega no Amazonas, mas quando não existir esse estoque público, como já aconteceu no passado, será o fim de todas as atividades locais que dependem do milho.

E é justamente por existir esses momentos, isto é, situações de crise no mercado (que vai agravar ainda mais pela escassez de alimentos para alimentar bilhões de humanos) é que defendo a produção de milho nas regiões indicadas pelo ZEE e ZARC em nosso estado, pois vai garantir a soberania e a segurança alimentar do amazonense. Na próxima semana, volto a falar da piscicultura felizmente priorizada no Amazonas Rural, mas alguns aspectos precisam ser discutidos principalmente no item comercialização.

Orlando Paz de Souza, o “Orla”

Dedico esta coluna ao amigo e colaborador do Sistema Faea/Senar, Orlando Paz, que, como todo caboclo de Fonte Boa não se deixa abater com os obstáculos que a vida nos impõe. Fiquei feliz em vê-lo ajudando a gestão do amigo Muni Lourenço.

Aposentado do Incra, Orlando estava ao lado do Dr. Eurípedes na instalação do primeiro Parque de Exposições Agropecuárias do Amazonas que, hoje, merecidamente é denominado de Eurípedes Ferreira Lins. Forte Abraço “Orla” e continue firme na caminhada. É o nosso desejo e de toda equipe do Sistema FAEA/SENAR.

Thomaz Antonio Perez da Silva Meirelles, servidor público federal, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected]

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