Agronegócios: Estatística agropecuária precisa evoluir no Amazonas

*Thomaz Meirelles

Quem acompanha o cotidiano das atividades do setor rural sabe exatamente da extrema importância de dados estatísticos confiáveis para o planejamento das ações públicas e privadas.

No passado, por mais incrível que possa parecer, o Amazonas já deu mais atenção a essas informações. Tivemos o Centro de Desenvolvimento de Pesquisas e Tecnologia do Estado do Amazonas (CODEAMA), o Departamento Estadual de Estatística e até Anuário Estatístico. Atualmente, se não fosse o esforço dos técnicos do IDAM em levantar e disponibilizar a produção, preço e a produtividade dos produtos regionais o caos era total. IBGE e Conab sabem exatamente o que afirmo, pois dependem quase que exclusivamente dos números do IDAM (único órgão público com presença em todos os 62 municípios do AM) para o desenvolvimento de diversas atividades.

O GCEA (Grupo de Coordenação de Estatísticas Agropecuárias do Amazonas), coordenado pelo IBGE, vem reunindo vários atores tentando equacionar essa lacuna, mas sabemos que não é tarefa das mais simples. Por esse motivo, sempre defendi a criação, pelo estado, de uma agência exclusiva para concentrar toda a estatística agropecuária local.

O professor Rosalvo Machado Bentes, que pertence ao Departamento de Economia da UFAM e já foi técnico do CODEAMA, afirma em seu esclarecedor trabalho titulado “A crise do setor primário amazonense” que a mensuração das variáveis econômicas está sujeita à existência de dados confiáveis e que nos países em desenvolvimento estes dados são de má qualidade ou inexistentes dificultando a avaliação precisa do desempenho da economia.

Precisamos seguir os conselhos do professor Rosalvo, exemplo de ser humano e de servidor público. Suas obras e as do meu amigo Eurípedes Lins ocupam posição de destaque no cantinho que uso para estudar, ler e escrever.

Agência e controle de preços nas feiras

Além da criação da “Agência de Estatísticas Agropecuárias do Amazonas” sugiro ao Sistema Sepror e à SDS/ADS, responsáveis pela implementação de importantes feiras de produtos regionais espalhadas em Manaus, que passem a controlar e registrar a quantidade e os preços de comercialização praticados nesses locais.

O histórico desses dados certamente contribuiria significativamente para aprimorar programas como o PREME, PAA, PNAE, Compras Institucionais e outros. Toda vez que escrevo sobre a coleta de dados rurais lembro, com tristeza, que nosso estado é um dos únicos do Brasil que não tem mais CEASA.

Um absurdo! É de impressionar a falta de regularidade e a vida curta dos programas ligados ao setor do rural do Amazonas. Os “nomes” dos programas mudam, os gestores passam, os problemas persistem e a vida do caboclo do interior fica cada dia mais difícil.

Safra por satélite

Outra posição que tenho defendido é a utilização dos satélites que rastreiam o Amazonas para levantar a safra das fibras de malva e juta. Afinal de contas somos o maior produtor nacional e com a necessidade de ampliar a produção para atender a demanda interna.

Com esse propósito, entendo que a Conab que já vem utilizando (desde 2004) recursos tecnológicos de eficiência comprovada, tais como: modelos estatísticos, sensoriamento remoto, posicionamento por satélite (GPS), sistemas de informações geográficas e modelos agrometeorológicos/espectrais, para estimar as áreas de cultivo e prever impactos à produtividade das lavouras.

Esse conjunto de tecnologias constitui o método objetivo de previsão de safras, que integra o Projeto Geosafras. A partir de entendimentos iniciados em 2003, formou-se em torno do Geosafras um ambiente de cooperação e de união de esforços entre diversas instituições de ensino e pesquisa e muitas outras entidades de apoio e extensão rural que, em conjunto, tem trabalhado para aprimorar as estimativas de safra brasileiras, tornando inquestionáveis os números do governo.

Essa integração possibilitou a aplicação em escalas regional e nacional, daquelas experiências que inicialmente foram testadas em nível de município e de lavouras pontuais. Nesse ambiente complexo, de vocação agrícola variada, penso que o governo estadual, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e outras instituições poderiam buscar medidas mais eficazes para incrementar a potencialidade do sistema de levantamento e acompanhamento de safras em complementação à metodologia tradicional de consulta direta ao setor produtivo (método subjetivo). Não tenho conhecimento detalhado do Projeto Geosafras embora acredite que não deva ser descartada sua utilização na Região Norte.

*Thomaz Antonio Peres da Silva Meirelles, é servidor público federal, administrador especializado em gestão da informação no agronegócio.

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