Acorda, Brasil!

26-12almirAlmir Quites*

Pela manhã, Dilma, Presidenta do Brasil, ficou surpresa ao ler a seguinte notícia nos jornais: “Nadga Sebastiana, uma jovem mãe brasileira, não assistida por qualquer bolsa do governo, registra em um cartório, seus dois filhos gêmeos, recém-nascidos: uma menina e um menino, com os nomes Dilma e Brasil.”

Honrada, Dilma decide visitar a mãe em questão, para mostrar seus agradecimentos pela decisão de dar esses nomes a seus filhos gêmeos.

Ao chegar na modesta residência da jovem mãe, encontra Nadga dando o peito para a bebê Dilma mamar. A presidenta pergunta: – “Onde está o Brasil, o irmãozinho dessa esfomeadinha?”

Nadga Sebastiana responde que “Brasil está dormindo profundamente faz muiiiito tempo…”
Estranhando a resposta, a Presidenta diz: – “Acorde ele. Quero conhecer ele!”

A resposta de Nadga deixa a Presidenta sem fala: – “Senhora Presidenta, se o Brasil despertar, Dilma deixa de mamar!”

Neste momento, uma multidão de manifestantes começou a gritar: –

Mamou nas urnas eletrônicas que a nutriram de votos indevidos.

Mamou num sistema eleitoral injusto, que a nutriu com uma legislação eleitoral feita por um Congresso que se vende e uma campanha eleitoral com uma enorme vantagem de exposição na mídia e, além disso, 3 vezes mais tempo de televisão no horário eleitoral dito “gratuito”. Nossa democracia, na realidade, é uma democracia só “de fachada”, sofrível, enganadora e atrasada.

Mamou nos Fundos de Previdência (prejuízo estimado em cerca de R$ 23 Mi).

Mamou em Angra III (prejuízo estimado em cerca de R$ 4 bi, segundo o TCU). Iniciada pelo regime militar e paralisada nos anos 80, a Usina de Angra III, assim como os grandes planos de obras – como o plano de metas de Juscelino Kubistchek e o PAEG do governo militar – foi retomada durante a gestão petista no governo federal. Sob o nome de PAC – Programa de Aceleração de Crescimento – o plano consistia em agregar sob uma mesma bandeira, obras em setores diversos da economia. Na parte energética, incluíu-se a construção de Angra III, além de supostas outras 4 usinas a serem erguidas na região Nordeste do Brasil. As usinas ainda não saíram do papel. Angra III, porém, é real,e seu prejuízo já pode ser estimado.

Mamou nas geradoras de energia elétrica e nas construtoras de linhas de transmissão (prejuízo estimado em cerca de R$ 8,3 bi, segundo o TCU). Sem conseguir cumprir os cronogramas previstos em contratos, os cerca de 700 empreendimentos do setor elétrico licitados desde 2005 apresentam um descompasso responsável por prejuízos bilionários. 79% das obras de geração hidrelétrica apresentam um atraso médio de 8 meses – 88% das eólicas possuem atrasos médios de 10 meses, enquanto 62% das pequenas centrais hidrelétricas possuem um atraso médio de 4 meses. Mas o pior problema ainda reside no fato de que geração e transmissão são licitadas de forma separada, o que, somando-se ao atraso médio de 14 meses em 88% das linhas de transmissão, causa um descompasso na capacidade de ofertar energia.

Mamou na Copa da FIFA (prejuízo estimado em cerca de R$ 7,4 bi em subsídios e construção de estádios, segundo o TCU). Quando apresentou sua candidatura à FIFA em 2007, o Brasil sugeriu que seus gastos seriam de US$1,1 bilhão (ou R$2,6 bilhões).

Mamou na intervenção nos preços dos combustíveis (prejuízo estimado em cerca de R$ 87 bi de 2005 até agora, segundo o TCU). A Petrobras vendeu, entre 2005 e 2013, combustível abaixo do preço internacional em cerca de 69% do tempo. No mesmo período a empresa implementou seu gigantesco programa de investimentos, com destaque para o Pré-Sal, forçando-a a realizar desembolsos cada vez maiores, ampliando a dívida da empresa para valores superiores a R$400 bilhões – e em muitos casos levando bancos públicos a lhe emprestar dinheiro, causando um segundo prejuízo.

Mamou com o reajuste nas contas de luz (prejuízo estimado em cerca de R$ 11 bi, segundo o TCU). Entre 2002 e 2010, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) permitiu reajustes de tarifas maiores do que os devidos. A agência reconheceu o erro e mudou o cálculo em 2010. O prejuízo passado, porém – alguns bilhões pagos a mais pelos consumidores – já havia sido computado a favor das distribuidoras.

Mamou na construção superfaturada da refinaria Abreu e Lima (prejuízo estimado em cerca de R$ 36 bi, segundo o TCU). Com 3 anos de atraso nas obras em relação ao cronograma original, a Refinaria Abreu e Lima teve alguns percalços no caminho, como a perda da Petrobrás de seu principal sócio no projeto, a estatal venezuelana PDVSA. Ainda assim, a refinaria deve ser concluída em novembro desse ano. A conclusão da obra põe fim a uma saga que durou 9 anos, não sem antes impor seu custo – um valor final 7 vezes maior do que o previsto.

Mamou no Fundo Soberano (prejuízo estimado em cerca de R$ 4,5 bi, segundo o TCU). O fundo soberano brasileiro usou seus recursos, cerca de R$15 bilhões, para a compra de ações de empresas estatais brasileiras, como a Petrobrás, em parte do processo de capitalização da empresa para suportar os investimentos no Pré-Sal. O Fundo, que era dono de R$12 bilhões em ações da estatal, viu seu valor cair 40%, e invertendo a lógica do mercado, vendeu na baixa, depois de ter comprado na alta.

Mamou na compra da refinaria americana de Pasadena (prejuízo estimado em cerca de R$ 1,6 bi, segundo o TCU). A refinaria texana de Pasadena foi adquirida em 2005 pela empresa belga Astra Oil por US$ 42,5 milhões, e posteriormente revendida para a Petrobrás por US$ 1,157 bilhões. A compra suspeita foi investigada pelo Tribunal de Contas da União, que estimou as perdas em um valor menor do que o imaginado originalmente. O Tribunal condenou 11 diretores e ex-diretores da estatal pelo prejuízo, congelando seus bens para reaver o montante.

Mamou na tranposição do rio São Francisco (prejuízo estimado em cerca de R$ 3,5 bi, segundo o TCU).
Mamou no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, COMPERJ (prejuízo estimado em cerca de R$ 13 bi, segundo o TCU).

Mamou com o projeto do Trem Bala, que nem saiu do papel e era para ser inaugurado antes da Copa do Mundo (prejuízo estimado em cerca de R$ 1 bi em consultorias, segundo o TCU.

Mamou no PETROLÃO e nem se sabe ainda a quanto vai o prejuízo. O ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto,  denuncia a propina de 3% nos contratos da estatal, na área de distribuição.

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