“A situação das línguas indígenas na Amazônia é preocupante”, diz cientista

Amazonianarede – Museu Emilio Goeldi

Belém, PA – Um breve panorama do histórico de pesquisas sobre as línguas nativas do Brasil, do papel do governo no seu mapeamento, dos programas de documentação governamentais e não governamentais, das mudanças ocorridas nesses últimos anos e das medidas necessárias para o progresso dessa questão.

Esses são os tópicos de apresentação que Ana Vilacy Galúcio, doutora em Linguística e Coordenadora de Ciências Humanas (CCH) fará na Reunião de Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação 2013 (World Summit on the Information Society – WSIS+10).

Única brasileira participante da reunião, a pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi é convidada da Unesco ao evento anual. Desta vez a Cúpula será realizada em Paris, na França, de 25 a 27 de fevereiro de 2013.

A pesquisadora apresentará o trabalho “Diversidade Linguística no Brasil: Situação atual e perspectivas” na sessão intitulada Diversidade Lingüística: Revisão de Políticas e Medidas Nacionais e Internacionais. A ideia é articular políticas que garantam as oportunidades para salvaguardar e promover a diversidade linguística.

A preocupação sobre o tema pede urgência na tomada de medidas. “A situação das línguas indígenas ainda é preocupante porque justamente as línguas mais ameaçadas são as mais prováveis de serem desconhecidas cientificamente”, revela a Dra. Ana Vilacy. Ela coordena dois projetos de documentação de línguas indígenas em tecnologias mais avançadas do Museu Goeldi: “Implementação do Centro de Documentação Permanente de Línguas e Culturas Indígenas da Amazônia” e “Construção de um Acervo Digital para Línguas Amazônicas”.

Ana Vilacy também orientou pesquisa sobre documentação e estudo de línguas específicas de autoria de Antônia Fernanda Nogueira, então bolsista do Programa de Capacitação Institucional (PCI), mestra em Lingüística pela Universidade de São Paulo (USP) e hoje professora da Universidade Federal do Pará, no Campus de Breves, no Marajó. Esse estudo trata o declínio da diversidade linguística dos índios em território brasileiro.

De acordo com Dra. Ana Vilacy, um dos estímulos para a documentação linguística no Brasil foi a presença de projetos apoiados por grandes programas de documentação internacional, especialmente os Programas Dobes (DoBes Documentation of Endangered Languages) e ELDP (Endangered Languages Documentation Programme). O apoio prestado por estes programas teve um impacto duradouro em termos de infra-estrutura crescente, documentação e conhecimento de tecnologia de documentação e metodologia, além de aumentar o prestígio da documentação.

O resultado recente dessa mobilização a favor das línguas indígenas resultou na implantação de projetos, em programas específicos para esse trabalho de catalogação, e em línguas já documentadas. “Em 2006, a Câmara dos Deputados realizou um seminário informativo sobre a diversidade linguística que teve, como um dos resultados, a criação do Grupo de Trabalho para a Diversidade Lingüística (GTDL) do IPHAN.

A implementação dessa política nacional para realizar o levantamento linguístico do país foi assinada em 2010 e projetos-piloto foram realizados para determinar a sua metodologia de campo. Antes disso, em 2009, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), através do Museu do Indio, começou um Programa de Documentação de Línguas Indígenas (PRODOCLIN), influenciado pelos programas de documentação internacional, porém adaptado para a realidade brasileira, onde 13 línguas indígenas já estão sendo documentadas através deste programa”, informa a pesquisadora.

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