A exemplo de Mamirauá, índios do Médio Purus farão majeno de Pirarucu

(Foto: Internet)

Seguindo o exemplo da reserva de Mamirauá, que hoje tem uma grande produção de pirarucu de manejo, fato que ensejou o Governo do Estado a produzir o chamado “Bacalhau da Amazônia”, com incentivos da Secretaria de Produção Rural, esse processo será levado para o médio Solimões, ação que será desenvolvida pelos povos indígenas da região.

A atividade, considerada ecologicamente correta que atende perfeitamente as normais ambientais, além de melhorar as condições de vida das comunidades, ajudará no equilibrio da biodiversidade e as próprias pessoas funcionarão como fiscais para evitar a depredaçao da natureza na região.

O povo Paumari, que vive nas terras indígenas Lago Manissuã, Lago Paricá e Cuniuá, recebeu autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para o manejo de pirarucu.

A licença, é o resultado de quase cinco anos de trabalho para a elaboração e implementação do Plano de Manejo do Pirarucu, realizado a partir de uma parceria entre a Fundação Nacional do Índio (Funai), a Operação Amazônia Nativa (Opan), o Instituto Piagaçu (IPI), a Conservação Estratégica (CSF), com apoio do Instituto Mamirauá.

A escolha da atividade de pesca manejada surgiu durante a elaboração do plano de gestão das três terras indígenas. “A partir daí, eles isolaram alguns lagos e não permitiram a pesca, fazendo a contagem dos peixes. No início, em 2009, havia 60 peixes, hoje há 600.

Enquanto preservam o pirarucu, com o lago fechado, preservam também um leque enorme de outras espécies e criam critérios de vigilância e fiscalização das terras indígenas, a partir do monitoramento dos lagos.

Essa vigilância é realizada com o apoio da Funai, que disponibiliza voadeira, motor de popa e combustível para a atividade”. Outro fator importante, na avaliação do coordenador, é a oportunidade de dependerem cada vez menos dos atravessadores para a comercialização dos peixes.

A proposta foi apresentada ao Ibama no inicio de 2013 e a licença foi concedida pela Superintendência do Ibama em Manaus, no dia 13 de agosto. Ela autoriza a despesca de 50 peixes adultos, que será realizada na segunda quinzena de setembro. A despesca é a captura dos peixes, que será feita com malhadeiras próprias para o manejo e arpões, para fins de comercialização.

Esta é a terceira autorização para manejo sustentável de pirarucu emitida pelo Ibama para terras indígenas. A primeira ocorreu no município de Jutaí e a segunda em Tonantins, no Médio Solimões.

“O significado dessa despesca é muito especial para eles (povo Paumari), que querem mostrar para toda a região que a pesca manejada é possível”, explica Gustavo Silveira, coordenador do Programa Amazonas da Opan.

Embora a primeira despesca não tenha objetivo de retorno financeiro, a expectativa é de que o pirarucu possa ser vendido a, pelo menos, seis reais o quilo. Cada peixe adulto pesa cerca de 50 quilos.

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