Preconceito racial divide opiniões entre personalidades negras no Amazonas

Amazonianarede – G1

Manaus – No Dia da Consciência Negra, celebrado nesta terça-feira (20), os olhares se voltam para os negros ou para os que assumem a afrodescendência. No Amazonas, personalidades dividem as opiniões sobre a relevância do feriado, mas concordam que o preconceito contra os negros persiste e favorece o aparecimento de obstáculos na carreira pessoal e profissional.

Para ascender social e economicamente, o negro enfrenta dificuldades que podem afastar da ascensão quem não possui o sentimento de perseverança apurado. Característica presente no velocista amazonense Sandro Viana, de 35 anos. “Já sofri muito preconceito por ser negro, mas aprendi que a gente tem que correr atrás dos nossos objetivos e fazer valer o esforço que a família fez por nós”, disse.

O atleta afirma que é necessário redobrar a criatividade e o esforço para “vencer na vida”. Neste domingo (18), Sandro foi convidado pelo Ministério do Esporte para representar os esportes olímpicos do Brasil na Cavalgada da Liberdade que homenageia o líder negro, Zumbi dos Palmares, no interior do Alagoas.

Com atletas brasileiros representando outras categorias esportivas, o percurso de 54 km refaz a rota de fuga de Palmares até onde os livros de História o identificam como morto. “Pela primeira vez, isso foi feito. É bom homenagear um representante histórico dos negros que parecem estar fadados à derrota. Preconceito é inadmissível, mas ainda se vê por aí”, afirmou o atleta.

“Ninguém tem preconceito com o Barack Obama. Essa questão de preconceito racial é algo que não deve ser mencionado porque é como se ficassem lembrando de algo que já era para ter sido esquecido. Todas as raças sofrem preconceito, como ocorreu com muitos brancos ao serem presos por Hitler”, ressaltou o cantor.

Enfatizando o preconceito

O cantor e compositor Chico da Silva, de 77 anos, acredita que o feriado do Dia da Consciência Negra não deveria existir. Filho de pai branco e mãe negra, o artista diz não ter sofrido preconceito por ser negro ao longo dos 35 anos de carreira. No entanto, assume que segregação social é que deveria receber mais atenção.
A dominação entre povos é histórica e, segundo Chico, a ênfase em feriados, que tem por objetivo recordar os direitos iguais entre os diferentes tipos de raça, enfatiza a desigualdade e deixa o negro com baixa auto-estima.

“A segregação social, por exemplo, é invisível e não se faz algo para mudar isso. Um pobre não é bem atendido em hospitais públicos como acontece com o rico em hospitais particulares. Temos que ter cuidado para isso não acontecer de novo e a igualdade a Constituição Federal já nos garante. Não é necessário ter ‘dia do negro’. Acho besteira ficar batendo nessa tecla”, completou Chico.

Preconceito velado

No Amazonas, o preconceito racial existe e muito. É o que acredita a presidente do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro, Nação Mestiça, em Manaus, Elda Castro. “Com mestiços, com indígenas, com negros. Encontramos situações em que o próprio caboclo não quer ser chamado de caboclo”, disse.

O movimento defende a igualdade entre raças e é contra as cotas raciais em vestibulares. “Todos temos a capacidade de ingressar em uma universidade pública. Isso só depende da qualidade da educação. Queremos sensibilizar as pessoas de que todas as raças devem ser respeitados, mas ainda temos muito trabalho nesse sentido”, explicou Elda.

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