Metade dos clientes de operadoras punidas tem planos de saúde ruins

(Amazonianarede – iG)

Quase metade dos clientes de 22 operadoras punidas por excesso de reclamações tem planos de saúde que, de tão ruins, estão proibidos temporariamente de serem vendidos para novos clientes.

O levantamento foi feito pelo iG a partir dos dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

A relação significa que, dos 9,5 milhões de clientes que essas operadoras possuem atualmente, 4,2 milhões – ou 45% – têm planos que foram alvo de excesso de reclamações por negarem indevidamente um tratamento ou demorarem demais para marcar uma consulta, por exemplo.

Apesar do quadro delicado, as operadoras podem continuar a captar clientes por meio de outros planos, ou lançar novos se assim entenderem.

“A ANS suspende os produtos, mas não suspende as operadoras, e elas continuam a vender outros planos. Geralmente, lançam produtos novos parecidos [ aos que foram bloqueados ]”, diz Mario Scheffer, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e integrante do conselho diretor do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

Das grandes às pequenas

Na última sexta-feira (30), após uma batalha jurídica, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) conseguiu interditar a venda de 246 planos, pertencentes a 26 operadoras. Dessas, 22 são abertas ao público em geral – as outras 4 são fechadas para integrantes de entidades de classe – e, juntas, elas detêm 222 planos bloqueados.

A lista inclui gigantes como a Amil, a maior operadora do País. O grupo é responsável por 126 planos suspensos por excesso de reclamação. Eles foram vendidos por meio de três marcas do grupo (Amico, Amil e Excelsior) a 2,9 milhões de pessoas, ou 48% da carteira de clientes dessas três marcas, em média.

Outra das grandes, a SulAmérica Companhia de Seguro Saúde vendeu os planos agora suspensos a 501,5 mil pessoas, ou 27% do 1,8 milhão de beneficiários desse braço do grupo.

Entre as empresas de médio porte (mais de 20 mil e até 100 mil beneficiários), a Ecole Serviços Médicos teve suspensos os dois planos que respondem por 100% de seus 51 mil beneficiários.

Mas, na média, a situação é pior entre as pequenas (até 20 mil beneficiários). E dessas, o desempenho mais grave é da Sociedade Portuguesa de Beneficência de Santos (SP), uma entidade filantrópica em que 79% dos clientes estão em planos ruins.

Em três casos (Excelsior Med, Unimed das Estâncias Paulistas e Centro Trasmontano de São Paulo), as operadoras já vinham de uma punição anterior e tiveram ampliada a lista de produtos punidos.

Todas as operadoras poderão voltar a vender os produtos daqui a três meses, se a ANS entender que elas já resolveram os problemas.

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