Investimentos na política indígena no Amazonas superaram R$ 10 mi no último ano

Manaus – A política de atenção aos povos indígenas no Amazonas recebeu investimentos de R$ 10 milhões no ano passado, segundo balanço divulgado pela Secretaria para os Povos Indígenas (Seind), durante a abertura do “Abril Cultural Indígena”, ocorrido ontem, 19 de abril, quando foi comemorado o Dia do Índio.

A abertura do evento, realizado pelo Governo do Estado, contou com representantes de várias etnias em atividades esportivas, culturais e recreativas no 1º Batalhão de Infantaria de Selva (1º BIS), no bairro São Jorge, zona centro-oeste de Manaus.

A programação do “Abril Cultural Indígena”, que tem o apoio do Exército Brasileiro, vai até o dia 1º de maio, com ações na capital e no interior do Estado. Durante a abertura da terceira edição do evento, o secretário da Seind, Bonifácio Baniwa, fez um balanço das ações implementadas nos últimos anos.

No último ano, mais de R$ 10 milhões foram aplicados pelo Governo Estadual em ações direcionadas aos mais de 150 mil indígenas do Amazonas. Os recursos são partilhados com o Governo Federal. Desde 2011, por determinação do governador Omar Aziz, as ações são desenvolvidas através de um comitê gestor que envolve todas as secretarias de Estado, o que amplia o volume e a capacidade de investimentos para o setor.

“Nós já estamos colhendo os resultados disso. Pelo Cetam (Centro de Educação Tecnológica do Amazonas), estamos presentes em 12 municípios oferecendo capacitação. Mais de 300 indígenas são habilitados no curso de enfermagem, por exemplo. Pela Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas), leva-se crédito e financiamento para a população indígena. Com a Seduc (Secretaria de Educação), estamos formando professores e oferecendo educação especial aos índios. Através da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), temos a cota indígena e a formação de professores em nível superior”, enumerou Baniwa.

De acordo com o secretário da Seind, entre os principais avanços está o fomento às atividades sustentáveis, com exploração de produtos naturais com forte aceitação no mercado como a castanha e o peixe.

Em sete municípios do Alto Solimões, as aldeias trabalham com o manejo da pesca em lagos. Em Manicoré e Alvarães, o trabalho é voltado à cadeia produtiva da castanha. “Estamos nos preparando para entregar 30 barcos motores para dar suporte à atividade indígena nessa área, além de caminhões para carregar a produção e colocar no mercado por meio de cooperativas”, disse o secretário.

Para a gestão territorial das terras indígenas, a Seind está negociando um projeto com o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do Fundo Amazônia, para trabalhar a gestão da terra em 15 municípios do Sul do Estado.

Segundo Baniwa, será feito o levantamento das áreas indígenas para trabalhar o desenvolvimento sustentável na cadeia produtiva da castanha, pescado, óleos vegetais e demais produtos florestais. “Vamos contemplar principalmente o sul do Amazonas onde há bastante intervenção da fronteira agrícola e muita disputa de terra”, disse.

Programação na Ponta Negra – O “Abril Cultural Indígena” continua com programação até o dia 1º de maio, com destaque para a programação de sábado, dia 20 de abril, no Anfiteatro da Ponta Negra, onde será realizado pelo Governo do Amazonas, Comando Militar da Amazônia (CMA) e Prefeitura de Manaus, um evento em comemoração ao Dia do Índio e ao Dia do Exército Brasileiro. A programação contará com apresentações culturais indígenas, entre elas o grupo Bayaroá, Natinho Tikuna (grupo Ewaré) e Djuena Tikuna. Simultaneamente, o público poderá prestigiar a feira de exposição e comercialização de produtos indígenas, que ocorre até 21 de abril no mesmo local.

Além da Seind, o evento conta com apoio das próprias organizações indígenas e de parceiros como a Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer (Sejel), Secretaria de Estado da Cultura, Comando Militar da Amazônia (CMA), Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) e da Prefeitura Municipal de Manaus.

“Essa programação simboliza a parceria, a unidade da sociedade brasileira com os povos indígenas. Que cada vez mais a gente possa entender o que os povos indígenas querem e como querem ser respeitados. Índio não é diferente em termos de dificuldade e daquilo que se busca, que é educação, saúde e desenvolvimento. Nossas diferenças são apenas culturais”, frisou.

Fonte: Marcos Santos

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